O novo céu e a nova Terra estão entre meus temas preferidos da Bíblia. Quando penso na vida eterna que Deus nos prometeu, imagino poder reconhecer as pessoas que amo, abraçar minha esposa e minhas filhas, caminhar com elas sem pressa e compartilhar uma boa refeição. São coisas simples, nas quais experimento muito da alegria de viver. Creio que a vida é preciosa porque vem de Deus, e esses momentos me ajudam a perceber a bondade com que ele a criou. Pensar em desfrutá-los sem o medo de perder quem amo é uma das razões pelas quais essa promessa me comove tanto.
A Bíblia nos dá motivos para pensar na eternidade de maneira tão concreta. Ela fala de ressurreição, de uma criação restaurada e de Deus vivendo entre nós. Em Apocalipse 21, João descreve o que viu: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles” (Apocalipse 21:1-3).
Que cena maravilhosa! A cidade desce do céu, e Deus vem habitar com seu povo. A Terra restaurada se torna nosso lar. É essa a vida que espero: estar na presença de Deus, junto daqueles que também receberam sua salvação, sem que o sofrimento e a morte voltem a nos separar.
Essa esperança inclui o reencontro com pessoas queridas que morreram em Cristo. Ao escrever aos cristãos de Tessalônica, Paulo ofereceu consolo aos que sofriam essas perdas: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.” Ao pensar nas despedidas que a morte nos impõe, entendo por que essa promessa oferece tanto consolo. Cristo venceu a morte; temos razões para esperar por esse glorioso reencontro.
Talvez você esteja se perguntando: viveremos, então, eternamente neste planeta? Teremos corpos físicos? Como a Terra que conhecemos, marcada por tanto sofrimento, poderá se tornar o lar que Deus nos prometeu? Sim, temos razões para crer que viveremos com corpos transformados por Deus numa Terra restaurada. A ressurreição e a renovação da criação fazem parte da mesma esperança.
A criação restaurada
Em nossa experiência cotidiana, costumamos usar a palavra “novo” para coisas que substituem as antigas. Quando alguém diz “estou com um celular novo”, geralmente pensamos em outro aparelho, recém-comprado para substituir o anterior. Por isso, ao ouvir a expressão “nova Terra”, é fácil imaginar Deus descartando este mundo para começar outro do zero.
No grego do Novo Testamento, há mais de uma palavra que pode ser traduzida por “novo”. Entre elas estão νέος (néos), que costuma destacar o que é recente, e καινός (kainós), que pode ressaltar uma novidade de qualidade ou condição. Essa diferença não é absoluta, pois seus sentidos também se sobrepõem. Em Apocalipse 21:5, quando Deus declara “Eis que faço novas todas as coisas”, a palavra traduzida por “novas” é καινά (kainá), uma forma de kainós. O mesmo adjetivo aparece na descrição do novo céu e da nova Terra, no início do capítulo.
Essa linguagem é compatível com uma transformação profunda da criação. Para mim, a promessa ganha ainda mais clareza quando leio o que Paulo diz sobre o mundo que hoje sofre: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. […] na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” (Romanos 8:19, 21)
É a própria criação que será libertada da corrupção. No mesmo capítulo, Paulo diz que nós aguardamos “a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23). Há uma relação entre essas duas promessas: Deus restaura a humanidade e o mundo em que ela viverá. Ao ler essas palavras junto à declaração de Deus em Apocalipse, entendo a nova Terra como uma restauração profunda de sua obra.
Dessa forma, a ressurreição nos ajuda a compreender essa relação entre continuidade e transformação. Nossa identidade permanece, embora a condição do corpo seja inteiramente transformada: “Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção” (1 Coríntios 15:42). O próprio Jesus ressuscitou corporalmente, deixando vazio o túmulo em que havia sido sepultado. Podemos esperar algo semelhante em relação à criação: o mundo que hoje sofre será renovado e estará livre de tudo o que o destrói.
Isso pode parecer difícil de conciliar com a descrição de Pedro: “os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados” (2 Pedro 3:10). O juízo que ele anuncia é devastador. Pouco antes, porém, Pedro compara esse acontecimento ao dilúvio. O mundo antigo “veio a perecer”, “afogado em água” (v. 6), e o mundo presente está reservado para o fogo (v. 7).
Depois do dilúvio, Noé saiu da arca para viver na Terra que havia passado pelo juízo. Tal comparação conduz à interpretação do fogo como um elemento de juízo e purificação da criação. Não sabemos como Deus realizará essa transformação em todos os seus detalhes. O resultado prometido, contudo, é claro: “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (2 Pedro 3:13).
A promessa feita no Éden
Depois de comerem do fruto proibido, Adão e Eva se esconderam de Deus, pois sentiram vergonha e medo (Gênesis 3:7–10). A confiança havia sido rompida. Quando foram chamados a responder pelo que fizeram, Adão culpou a mulher, e a mulher culpou a serpente. Ao mencionar a mulher que Deus lhe havia dado, Adão chegou a envolver o próprio Criador em sua acusação. O pecado já afetava a relação entre eles e a relação de ambos com Deus.
Foi ali, antes de expulsá-los do jardim, que Deus anunciou a derrota do inimigo. Dirigindo-se à serpente, disse: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:15)
Essa é a primeira profecia messiânica que encontramos na Bíblia, e mostra que Deus não abandonou a humanidade quando ela se afastou dele. Adão e Eva deixariam o jardim e enfrentariam as consequências de sua desobediência, mas levariam consigo uma promessa: aquele que os havia enganado seria vencido e o mal seria eliminado para sempre.
A queda não pegara Deus de surpresa. Pedro afirma que “não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós (1 Pedro 1:18-20). A salvação já fazia parte do propósito de Deus. Ao olharmos para a promessa feita no Éden à luz dessas palavras, percebo que ela já apontava para a entrega de Cristo por nós. O amor que o levaria à cruz estava presente no cuidado divino para com a humanidade desde o início.
Na cruz, Jesus enfrentou a morte para destruir “aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” e libertar os que viviam escravizados pelo pecado (Hebreus 2:14–15). Sua vitória assegurou o fim do mal, embora ainda aguardemos a consumação dessa vitória. O sofrimento que vemos ao nosso redor nos faz desejar o dia em que todas as consequências do pecado serão removidas. Por isso, mesmo depois da cruz, Paulo pôde escrever: “o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás” (Romanos 16:20).
Apocalipse 20 descreve a prisão de Satanás e, ao fim dos mil anos, seu juízo definitivo. Graças ao bom Deus, esse juízo porá fim ao mal e a todo o sofrimento que ele trouxe à criação. Então se cumprirá a promessa: “nunca mais haverá qualquer maldição” (Apocalipse 22:3).
Na Terra restaurada, a árvore da vida, cujo acesso foi impedido depois da queda, estará novamente ao alcance dos redimidos, junto ao rio que sai do trono de Deus e do Cordeiro (Gênesis 3:24; Apocalipse 22:1–2, 14). A humanidade voltará a desfrutar da vida para a qual foi criada. A presença de Deus já não despertará o medo que levou Adão e Eva a se esconderem: seus servos contemplarão sua face (Apocalipse 22:4). E conhecerão seu amor também pela experiência de terem sido resgatados por ele.
A volta de Jesus e a nova terra
Se nosso lar definitivo será a terra restaurada, como entender a promessa de Jesus de nos levar para a casa do Pai? Na casa de meu Pai há muitas moradas. […] Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também. (João 14:2-3)
Entendo que Jesus e João descrevem momentos diferentes da mesma esperança. Na leitura adventista que adoto, Cristo volta, reúne os seus e os leva para o céu. Depois dos mil anos, a Nova Jerusalém desce, e a terra renovada se torna a morada dos salvos.
Paulo descreve o reencontro na volta de Jesus: os mortos em Cristo ressuscitam, e os que estiverem vivos são reunidos a eles “para o encontro do Senhor nos ares” (1 Tessalonicenses 4:16-17). Ao ler essa passagem junto à promessa de João 14, compreendo que Jesus vem buscar seu povo para levá-lo à casa do Pai.
Apocalipse 20 acrescenta que os salvos viverão e reinarão com Cristo durante mil anos (v. 4). Nesse período, Satanás estará preso, impedido de enganar as nações (v. 3). Ao fim dos mil anos, os demais mortos ressuscitam, Satanás é solto e reúne as nações contra “o acampamento dos santos e a cidade querida” (v. 9). A cidade já está na terra quando ocorre o ataque. O fogo que desce do céu encerra a rebelião.
Vejo uma relação entre esse juízo e o fogo descrito em 2 Pedro 3, seguido pela promessa de uma criação em que habita a justiça. Embora outros cristãos compreendam alguns desses acontecimentos de maneira diferente, creio que essas passagens descrevem a consumação da mesma obra de Deus.
Quanto ao destino final dos redimidos, Jesus foi direto: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mateus 5:5). A promessa de estar com ele no céu se harmoniza com a de viver na terra restaurada. Em ambas, o que Jesus nos assegura é sua companhia. Estaremos onde ele estiver.
A vida que Isaías descreve
Gosto da maneira como Isaías descreve a vida que Deus deseja para seu povo. Há casas, vinhas, alimento e segurança. São coisas que entendemos e que fazem falta a tanta gente:
Eles edificarão casas e nelas habitarão; plantarão vinhas e comerão o seu fruto. […] O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor. (Isaías 65:21, 25)
A paz alcança também os animais. Essa descrição lembra a criação, quando Deus lhes deu “toda erva verde” por alimento (Gênesis 1:30), e combina com a esperança de que a própria natureza seja libertada da corrupção (Romanos 8:20-22).
As casas e as vinhas mostram uma vida ativa. Há trabalho, e as pessoas desfrutam do que produzem. “Não edificarão para que outros habitem; não plantarão para que outros comam” (Isaías 65:22). Penso no alívio que essa promessa oferece a quem passou a vida trabalhando sem ter segurança para o dia seguinte. O esforço não será perdido, nem alguém será privado do fruto de seu trabalho.
Mas o capítulo também contém uma passagem que pode causar estranheza:
Não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado. (Isaías 65:20)
Ainda há morte e pecado nessa descrição. O versículo 23 também menciona filhos, enquanto Jesus diz que, na ressurreição, as pessoas “nem casam, nem se dão em casamento” (Mateus 22:30). Essas diferenças explicam por que alguns cristãos entendem Isaías 65 como a descrição de um milênio terreno em que ainda haveria mortalidade.
Compreendo a passagem a partir da situação de Israel. Deus apresentava ao povo as bênçãos da restauração em termos que ele podia reconhecer: longevidade, filhos protegidos, colheitas e paz. Como outras promessas dirigidas à nação, seu cumprimento estava relacionado à resposta do povo a Deus, conforme o princípio expresso em Jeremias 18:7-10.
Quando João descreve a nova terra, retoma as promessas de Isaías, mas a morte já não está presente. A ausência de choro anunciada em Isaías 65:19 aparece junto da promessa de Isaías 25:8, de que Deus acabará com a morte e enxugará as lágrimas de todos os rostos:
E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. (Apocalipse 21:4)
É nessa promessa que deposito minha esperança. Viver mais seria maravilhoso, mas ainda seria doloroso saber que tudo terminaria em outra despedida. Deus promete que a morte deixará de existir. Quem reencontrar seus queridos não precisará temer perdê-los outra vez.
Vamos nos lembrar desta vida?
Ao anunciar os novos céus e a nova terra, Isaías afirma que “não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas” (Isaías 65:17). Isso significa que esqueceremos toda a nossa história? Reconheceremos as pessoas que amamos? Saberemos de onde Cristo nos resgatou?
Não entendo essa promessa como a eliminação de tudo o que vivemos. No versículo anterior, Isaías fala das “angústias passadas” que serão esquecidas (v. 16). É o sofrimento que está em vista. A promessa nos permite esperar uma vida em que o passado não continue nos causando dor.
A Bíblia também usa a linguagem do esquecimento ao falar do perdão de Deus: “perdoarei as suas iniquidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jeremias 31:34). Deus não perde o conhecimento do que aconteceu. Ele nos assegura que os pecados perdoados não serão usados contra nós. Esse uso da linguagem ajuda a perceber que uma promessa de esquecimento não exige, em todos os casos, a perda da memória.
A própria Nova Jerusalém preserva a história do povo de Deus. Suas portas trazem os nomes das doze tribos de Israel, e seus fundamentos, os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (Apocalipse 21:12, 14). As pessoas que fizeram parte dessa história continuam sendo lembradas.
João também vê “um Cordeiro como tendo sido morto” (Apocalipse 5:6). O sacrifício de Cristo permanece central. Depois de ressuscitar, Jesus mostrou a Tomé as marcas da crucificação (João 20:27). Sua vitória não apagou o amor demonstrado na cruz.
Não sei explicar como Deus curará cada lembrança dolorosa. Há perdas que hoje mal conseguimos mencionar. Mas confio que ele saberá cuidar delas sem destruir nossa identidade. A promessa de que enxugará toda lágrima me dá razões para esperar uma memória reconciliada com o passado e uma vida livre da dor que hoje o acompanha.
A presença de Deus
Entre todas as promessas sobre a nova terra, a que mais me atrai é esta: “Deus habitará com eles” (Apocalipse 21:3). A beleza da cidade e a alegria dos reencontros serão preciosas, mas a presença de Deus tornará essa vida completa.
Esse desejo de estar perto de nós aparece ao longo da Bíblia. No Sinai, Deus disse: “E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles” (Êxodo 25:8). A tenda acompanhou Israel pelo deserto, esteve em Siló e, mais tarde, deu lugar ao templo construído por Salomão em Jerusalém, no monte Moriá (2 Crônicas 3:1).
Em Jesus, Deus se aproximou de nós de uma maneira que o santuário anunciava: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). O verbo traduzido por “habitou” traz a ideia de armar uma tenda. É a mesma imagem de Deus fazendo sua morada com a humanidade, que reaparece em Apocalipse 21:3.
Na Nova Jerusalém, porém, João não vê um templo: “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro” (Apocalipse 21:22). A presença divina já não está associada a um lugar separado dentro da cidade. Todo o povo vive junto de Deus.
As medidas da cidade reforçam essa ideia. Seu comprimento, sua largura e sua altura são iguais (Apocalipse 21:16), assim como eram iguais as medidas do Lugar Santíssimo no templo de Salomão (1 Reis 6:20). A imagem sugere uma cidade inteira com a santidade daquele lugar em que Deus manifestava sua presença.
No antigo santuário, somente o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo, uma vez por ano, levando sangue (Hebreus 9:7). Mesmo Moisés ouviu de Deus que não poderia ver sua face e continuar vivo (Êxodo 33:20). Na nova terra, os servos de Deus “contemplarão a sua face” (Apocalipse 22:4).
É difícil imaginar o que isso significará. Oramos a alguém que ainda não vemos, confiamos nele em meio a dúvidas e aguardamos respostas que nem sempre chegam quando desejamos. Um dia estaremos diante dele. O nome dado por Ezequiel à cidade de sua visão expressa bem essa esperança: “O Senhor Está Ali” (Ezequiel 48:35).
Como podemos estar ali?
Uma vida tão próxima de Deus pode despertar uma preocupação sincera: como alguém como eu poderá participar dela? João diz:
Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro. (Apocalipse 21:27)
Quando penso nos meus pecados, sei que não posso reivindicar um lugar nessa cidade por merecimento. Minha esperança está no Cordeiro. É o sacrifício de Jesus que torna possível nossa aproximação de Deus:
Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne […]. (Hebreus 10:19-20)
Cristo abriu o caminho. Paulo explica que somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:24). Ao confiar nele, o pecador recebe o perdão e é aceito por Deus com base no que Jesus fez em seu favor. Cristo viveu em perfeita obediência e entregou sua vida por nós.
Por isso, você pode se aproximar de Jesus com a vida que tem hoje, inclusive com aquilo que lhe causa vergonha. O arrependimento não exige que primeiro consiga consertar sozinho tudo o que está errado. É a Cristo que precisamos recorrer para receber perdão e ser transformados. A graça que nos acolhe também nos ensina a viver com ele.
O sábado na nova criação
Como adventista, encontro um significado especial na descrição de Isaías sobre a adoração na nova terra:
Porque, como os novos céus e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante de mim, diz o Senhor, assim há de estar a vossa posteridade e o vosso nome. E será que, de uma Festa da Lua Nova à outra e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor. (Isaías 66:22-23)
Essa passagem é frequentemente citada para defender a observância do sábado hoje. Há, porém, uma pergunta legítima: se a menção ao sábado estabelece essa obrigação, por que a menção à lua nova não nos obrigaria a celebrá-la também? Paulo ainda reúne “dia de festa, ou lua nova, ou sábados” ao falar de práticas que eram “sombra das coisas que haviam de vir” (Colossenses 2:16-17).
Minha convicção sobre o sábado se apoia no conjunto do ensino bíblico, começando pela criação. Antes da existência de Israel e antes da entrada do pecado, Deus abençoou e santificou o sétimo dia:
E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera. (Gênesis 2:3)
Quando o sábado aparece nos Dez Mandamentos, a razão apresentada em Êxodo é essa mesma: “porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra” (Êxodo 20:11). Jesus também afirmou que “o sábado foi estabelecido por causa do homem” (Marcos 2:27). Vejo nessas palavras um presente de Deus à humanidade, ligado à nossa condição de criaturas.
É essa origem que me leva a distinguir o sábado semanal das celebrações do calendário religioso de Israel que apontavam para a obra redentora de Cristo. Sei que cristãos divergem sobre o alcance de Colossenses 2. Entendo, porém, que a referência às sombras não desfaz a bênção concedida ao sétimo dia na criação. A visão de Isaías se harmoniza com essa compreensão: a humanidade restaurada se reúne para adorar seu Criador.
Guardar o sábado, para mim, faz parte da resposta de gratidão a Deus. Minha aceitação depende de Cristo, e é por confiar nele que desejo acolher o que ele oferece. Separar esse dia para o descanso, a adoração e o convívio me ajuda a lembrar que a vida vale mais do que aquilo que conseguimos produzir.
Também vejo no sábado uma antecipação da vida que espero desfrutar na nova terra. O trabalho tem seu lugar, mas não precisa ocupar tudo. Podemos parar, estar com outras pessoas e voltar nossa atenção a Deus. Se você deseja conhecer essa experiência, procure uma Igreja Adventista e participe de um sábado de adoração. Não precisa chegar sabendo todas as respostas.
A vida que quero receber
Há muito sobre a eternidade que ainda não consigo imaginar. Como será viver sem sentir medo? O que faremos com um tempo que já não estará ameaçado pela morte? Não temos uma descrição de cada aspecto dessa vida, mas Deus revelou o suficiente para que possamos desejá-la e confiar nele.
Às vezes citamos “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram” (1 Coríntios 2:9) como se Paulo estivesse dizendo que nada pode ser conhecido sobre o que Deus preparou. No versículo seguinte, ele acrescenta: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito” (v. 10). Paulo trata da sabedoria de Deus revelada em Cristo. Sua afirmação não nos autoriza a preencher todos os detalhes da eternidade, mas nos lembra que dependemos do que Deus nos revela.
E o que ele revelou muda a maneira como podemos viver agora. Jesus perguntou:
Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á. Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Mateus 16:25-26)
Essa pergunta me obriga a pensar no que estou buscando e no que aceito sacrificar para conseguir. É possível acumular bens, reconhecimento e poder e, ao mesmo tempo, afastar-se daquele que pode nos dar a vida eterna.
Na tentação do deserto, Satanás ofereceu a Jesus os reinos do mundo em troca de adoração (Mateus 4:8-9). Jesus recusou. Sabia a quem devia fidelidade e confiava no Pai. Nós também precisamos escolher em quem confiar quando o que desejamos parece exigir que deixemos Deus de lado.
A promessa da nova terra me ajuda a fazer essa escolha. Posso desfrutar das coisas boas desta vida sem tratá-las como se fossem tudo o que existe. Posso aceitar perdas por fidelidade a Cristo porque creio na ressurreição e na herança que ele prometeu. Quero receber essa vida de suas mãos e aprender, desde agora, a viver em sua companhia.
O convite permanece aberto:
O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. (Apocalipse 22:17)
Jesus já deu sua vida por nós. É por causa dele que podemos olhar para o futuro com esperança e nos aproximar de Deus hoje. Quero estar entre aqueles que o verão face a face, e desejo que você também esteja ali.















