História Bíblica

Qual era o verdadeiro formato da arca de Noé?

a verdadeira proporção da arca de Noé
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Para muita gente, a arca de Noé tem a forma dos desenhos que conhecemos desde a infância: um barco de casco arredondado, com as pontas erguidas e uma casinha sobre o convés. De tanto ver essa imagem, acabamos levando-a conosco para a leitura de Gênesis. Mas será que foi assim que o texto descreveu a embarcação?

A palavra hebraica traduzida como “arca” é tevah (תֵּבָה), que tem o sentido de caixa ou cofre. Curiosamente, foi esse mesmo termo que o relato de Êxodo empregou para o cesto no qual a mãe de Moisés colocou o filho (Êxodo 2:3). Em ambos os casos, encontramos um recipiente que abrigou vida em meio às águas. A associação ajuda a compreender a ideia de uma grande caixa flutuante, embora o nome, sozinho, não determine sua forma. Afinal, ele servia tanto para um pequeno cesto de junco quanto para a enorme construção de madeira de Noé.

As proporções da arca

Sobre as medidas, Gênesis foi mais específico. Deus ordenou que a arca tivesse 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura (Gênesis 6:15). Se adotarmos um côvado de 45 centímetros, chegaremos a aproximadamente 135 metros de comprimento, 22,5 de largura e 13,5 de altura. São valores estimados, pois a conversão depende do côvado considerado. Mesmo assim, qualquer que seja a medida adotada, o comprimento continua sendo seis vezes a largura. Esse dado já deveria orientar nossas ilustrações: a arca era uma estrutura bastante alongada.

Havia também instruções para os compartimentos internos, os três pavimentos, a porta lateral e o revestimento de betume por dentro e por fora (Gênesis 6:14-16). Reunindo essas informações, podemos imaginar uma grande barcaça coberta, com amplo espaço para seus ocupantes. É uma reconstrução plausível. O problema começa quando acrescentamos a ela um fundo perfeitamente plano, paredes inteiramente retas e extremidades quadradas, como se cada um desses detalhes estivesse descrito na passagem. Gênesis fornece as dimensões da arca, mas não especifica o contorno exato de seu casco.

A parte superior traz outra dificuldade. Em Gênesis 6:16, há uma expressão hebraica cujo sentido é discutido: algumas traduções mencionam uma janela ou abertura; outras, uma cobertura. A maneira de entender esse trecho afeta a reconstrução do telhado e das aberturas. Quem desenha a arca precisa decidir como representá-los, mesmo sem ter uma descrição que esclareça todos os detalhes.

Isso vale também para a imagem que escolhi para a capa deste artigo. Ela procura respeitar as proporções e as características apresentadas em Gênesis. O formato do telhado e o acabamento do casco, porém, são escolhas artísticas feitas para completar aquilo que o relato nos permite visualizar.

Temos, assim, elementos suficientes para imaginar uma construção enorme, alongada e dividida internamente, embora não possamos reproduzir sua aparência com exatidão. A comparação com uma barcaça coberta ajuda a dar forma a essa descrição. Era ali que Noé, sua família e os animais seriam abrigados durante o dilúvio, cumprindo a finalidade que Deus havia declarado ao ordenar sua construção: conservá-los vivos (Gênesis 6:18-20).


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Graduando em História pela Universidade Estácio de Sá e estudioso de Teologia, defende a premissa de que o conhecimento se torna verdadeiramente valioso quando compartilhado. Junte-se a mim nessa jornada!

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