Apocalipse

A marca da besta e o selo de Deus

a marca da besta e o selo de Deus ilustração
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Digite a expressão “marca da besta” em qualquer navegador na internet e observe os resultados. Você encontrará pessoas identificando-a com chips implantados sob a pele, códigos de barras, sistemas de pagamento digital, vacinas, documentos eletrônicos e praticamente toda nova tecnologia capaz de despertar algum receio. Nos anos 1980, a candidata em alta para a marca era o código de barras. Mais tarde, a atenção voltou-se para os microchips. Recentemente, a bola passou para os passaportes sanitários.

Essas interpretações poderiam parecer apenas curiosas, não fosse a seriedade do assunto. Afinal, Apocalipse 13 não trata de uma questão simples de pouca importância. O capítulo descreve uma crise que envolve a humanidade inteira e que separa aqueles que adoram a besta daqueles que permanecem leais a Deus. Seria realmente plausível que uma profecia tão importante precisasse ser reinterpretada a cada vez que surgisse uma nova tecnologia?

Penso que essa constante mudança já nos oferece uma razão para desconfiar de tais interpretações. Se a marca foi o código de barras, depois o chip e, em seguida, algum documento eletrônico, talvez o problema esteja menos na profecia e mais no método empregado para interpretá-la. Em vez de permitir que o próprio Apocalipse explique suas imagens, começamos com aquilo que nos assusta no presente e procuramos encaixá-lo no texto.

Mas, então, o que é a marca da besta? A resposta, segundo o que acredito, deve ser procurada no tema que domina todo o contexto de Apocalipse 13 e 14: a adoração. A questão fundamental não é qual objeto alguém receberá no corpo, mas qual autoridade reconhecerá e a quem prestará lealdade.

Duas marcas, não apenas uma

Comecemos com uma observação simples, mas frequentemente esquecida. O Apocalipse não menciona somente a marca da besta. Ele apresenta duas marcas em oposição uma à outra.

Há aqueles que receberão a marca da besta na fronte ou na mão, e aqueles que receberão o selo de Deus na testa. João empregou até mesmo palavras diferentes para descrevê-las. A marca da besta é chamada de charágma, termo que podia designar uma impressão, gravação ou marca. Para o selo de Deus, ele usou sphragís, a palavra empregada para um selo que identificava propriedade, autenticidade ou autoridade.

Temos, portanto, dois sinais, duas autoridades e dois grupos de pessoas. De um lado estão os que pertencem à besta; do outro, os que pertencem a Deus. A estrutura do texto já sugere que a marca deve ser entendida em relação à lealdade daquele que a recebe. Isso teria sido perfeitamente compreensível para os primeiros leitores do Apocalipse. No mundo antigo, marcas eram utilizadas para indicar pertencimento. Um escravo podia ser marcado com o sinal de seu senhor. Soldados podiam carregar sinais que identificavam o comandante a quem serviam. Devotos de determinadas divindades também podiam receber marcas religiosas.

Heródoto conta que, no templo de Hércules, um escravo que recebesse as marcas sagradas passava a pertencer à divindade e já não poderia ser reclamado pelo antigo senhor. O sinal declarava publicamente a quem aquela pessoa estava agora vinculada. Quando João escreveu que a besta faria com que todos recebessem uma marca e que ninguém poderia comprar ou vender sem ela, seus leitores não precisariam esperar pela invenção do microchip para compreender a imagem. Eles já conheciam a linguagem do pertencimento e da lealdade.

Veja, compreender que a marca simboliza pertencimento é um passo preliminar indispensável, mas que ainda não responde à questão sobre como ela se manifestará concretamente no conflito final. No entanto, esse conceito nos fornece a premissa necessária para avançarmos na investigação. O ponto central, portanto, é este: a marca funciona fundamentalmente como o critério que identifica aqueles que prestam lealdade e reconhecem a autoridade da besta

Precisamos, então, perguntar: quem é essa besta e qual autoridade ela reivindica?

De quem é a marca?

Nesse ponto, talvez o leitor espere que eu demonstre detalhadamente a identidade da besta de Apocalipse 13. Isso exigiria, porém, outro estudo. A identificação não repousa sobre uma palavra isolada ou sobre uma semelhança ocasional. Ela é resultado de um argumento cumulativo construído a partir dos paralelos entre o chifre pequeno de Daniel e a besta descrita por João.

Desenvolvi esse argumento nas partes 1 e 2 do estudo sobre Apocalipse 13. Para os nossos propósitos aqui, um breve resumo será suficiente. O chifre pequeno e a besta proferem grandes palavras contra Deus. Ambos perseguem o povo fiel. Ambos exercem sua atividade durante o mesmo período profético. Ambos reivindicam autoridade no domínio religioso e colocam-se em oposição às determinações divinas. Quando essas características são consideradas em conjunto, elas apontam para o sistema religioso de Roma em sua dimensão institucional e histórico-profética.

Contudo, é crucial que se compreenda exatamente o que está sendo afirmado. A profecia não autoriza o cristão a condenar individualmente cada católico. Há milhões de católicos sinceros que amam a Deus, confiam em Cristo e vivem segundo a luz que receberam. O objeto da profecia não é o fiel individual que se assenta num banco de igreja, mas uma instituição religiosa considerada em sua reivindicação histórica de autoridade.

Pois bem, uma vez identificada a besta, a pergunta sobre sua marca torna-se mais específica. Qual reivindicação dessa instituição poderia funcionar como sinal de sua autoridade?

A autoridade para alterar a Lei

A resposta nos leva à Lei de Deus e, mais precisamente, ao quarto mandamento que se refere ao sábado.

Não se trata aqui de atribuir à Igreja Católica uma posição que ela própria rejeite. A tradição católica reconhece abertamente que a observância cristã do domingo não se fundamenta num mandamento bíblico explícito que tenha transferido a santidade do sétimo para o primeiro dia da semana. A mudança é explicada com base na autoridade da Igreja e da tradição.

Na verdade, esse fato é algumas vezes empregado como argumento em favor da própria autoridade eclesiástica. O raciocínio é o seguinte: a Escritura apresenta o sétimo dia como sábado; no entanto, a maior parte dos cristãos observa o primeiro dia. Portanto, a prática cristã demonstraria que a Igreja possui autoridade para estabelecer uma observância não ordenada explicitamente na Bíblia.

Não quero sugerir que esse raciocínio seja incoerente dentro do sistema católico. Pelo contrário, ele parece seguir naturalmente de sua concepção da autoridade da Igreja. A questão é se essa concepção é verdadeira. Pode uma instituição humana reivindicar o direito de alterar um mandamento estabelecido por Deus?

Considere, por um momento, a cruz de Cristo. Se a Lei de Deus pudesse simplesmente ser modificada quando sua transgressão produzisse consequências dolorosas, por que seria necessária a morte de Jesus? Deus poderia ter alterado as exigências da Lei ou simplesmente desconsiderado a culpa humana. Mas não foi isso que ocorreu. A cruz testemunha de modo terrível e glorioso que o pecado não poderia ser resolvido por uma simples mudança naquilo que Deus havia ordenado.

Todavia, uma instituição religiosa reivindicou autoridade para substituir o dia estabelecido no quarto mandamento e passou a tratar a nova observância como expressão legítima de sua autoridade. Se a marca identifica submissão à besta, e se a besta apresenta determinada mudança como demonstração de sua autoridade, então parece natural perguntar se essa mudança não ocupa um lugar especial no conflito descrito pelo Apocalipse. Mas por que justamente o sábado? Por que esse mandamento, e não qualquer outro?

O sábado como sinal

Para responder, precisamos relembrar como documentos oficiais eram autenticados no mundo antigo. Um rei ou governante utilizava um selo que indicava sua identidade e autoridade. Esse selo normalmente continha três elementos: o nome do governante, seu título e o domínio sobre o qual exercia jurisdição.

Quando examinamos os Dez Mandamentos, encontramos esses elementos reunidos no quarto mandamento: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. […] Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há” (Êxodo 20:8-11). Quem emitiu a Lei? O Senhor. Qual é seu título ou função? Ele é o Criador, aquele que fez todas as coisas. Qual é o domínio de sua autoridade? Os céus, a terra, o mar e tudo o que neles existe. Nenhum outro mandamento apresenta conjuntamente esses elementos. “Não matarás” e “não furtarás” são preceitos morais verdadeiros, mas, isolados de seu contexto, não identificam quem os promulgou. O quarto mandamento identifica o Legislador e a base de sua autoridade. Deus tem o direito de ordenar porque é o Criador de tudo.

Nesse sentido, o sábado funciona como a assinatura de Deus no Decálogo. Talvez você pense que essa analogia seja uma mera invenção da minha cabeça. Mas pergunto: a própria Bíblia atribui ao sábado essa função de marca identificadora? A resposta é um enfático sim. Deus o chama expressamente de sinal: “Certamente guardareis os meus sábados; porque é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o Senhor que vos santifica” (Êxodo 31:13).

Ezequiel repete a mesma ideia. Deus declara que deu seus sábados como sinal entre ele e o povo, a fim de que soubessem que era o Senhor quem os santificava (Ez 20:12, 20). O sábado aponta, portanto, para Deus como Criador e Santificador.

Provavelmente, a objeção que lhe veio à mente agora seja mais ou menos esta: “Certo, concordo que o sábado é um sinal. Mas esse sinal não era restrito ao povo judeu?”. Muito bem, essa é uma boa objeção. Afinal, a expressão “é sinal entre mim e vós nas vossas gerações” parece apontar justamente nessa direção. Mas será que essa conclusão realmente se segue? Penso que não. A leitura isolada de alguns versículos pode nos deixar míopes diante do quadro bíblico mais amplo. Precisamos dar um passo atrás e contemplar a questão de uma perspectiva panorâmica.

Ao fazer isso, a primeira coisa que salta aos olhos é que o sábado não começa com Israel. Ele surge já na narrativa da criação, muito antes da entrega da Lei no monte Sinai. Deus abençoou e santificou o sétimo dia quando ainda não havia judeus, gentios ou qualquer distinção nacional. Isso é importante, porque mostra que o sábado não nasceu como um sinal étnico destinado exclusivamente a Israel, mas como uma instituição dada à humanidade desde o Éden.

Jesus aponta exatamente nessa direção quando declara que “o sábado foi feito por causa do homem” (Mc 2:27). Observe que ele não diz que o sábado foi feito por causa do judeu, mas por causa do homem — isto é, do ser humano. Isaías confirma esse alcance mais amplo ao incluir expressamente o estrangeiro que se une ao Senhor e guarda o sábado, prometendo-lhe lugar e alegria na casa de Deus (Is 56:6-7).

Assim, o fato de o sábado ter funcionado como sinal entre Deus e Israel não significa que ele tenha começado com Israel ou que seu alcance estivesse restrito a esse povo. Sua origem remonta à criação, e sua finalidade alcança a humanidade. O sábado não é, portanto, meramente um costume nacional israelita. Ele funciona nas Escrituras como sinal da relação entre o Criador e aqueles que reconhecem sua autoridade.

E quanto ao cristão sincero?

Neste ponto, uma objeção importante começa a surgir. Suponha que alguém diga: “Eu amo a Deus. Creio em Cristo, leio a Bíblia, frequento a igreja e procuro viver uma vida cristã sincera. Por que Deus se importaria com o dia específico em que o adoro? Não seria legalismo transformar uma relação de amor com Deus numa discussão sobre calendário?”

Essa objeção merece ser levada a sério. Seria espiritualmente perigoso tratar o sábado como se a simples observância exterior de determinado período tornasse alguém justo diante de Deus. Nenhum dia da semana pode substituir a graça de Cristo, e a obediência jamais compra a salvação. Mas essa não parece ser a verdadeira questão. O problema não é saber se o sábado pode salvar alguém. Evidentemente, não pode. A pergunta é se uma pessoa que foi salva pela graça está disposta a reconhecer a autoridade daquele que a salvou.

Voltemos ao Éden. A serpente não procurou convencer Eva de que Deus não existia. Tampouco lhe pediu que abandonasse toda forma de religião. Sua proposta foi mais sutil: “Sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3:5). A tentação consistia em tomar para si o direito de decidir. Eva poderia estabelecer por conta própria o que era bom, razoável e aceitável, mesmo quando sua decisão contrariasse aquilo que Deus havia dito. O fruto era importante porque tornava visível uma questão mais profunda de autoridade.

Encontramos algo semelhante na história de Caim. Ele não se recusou a adorar a Deus. Pelo contrário, trouxe uma oferta. O problema foi que decidiu aproximar-se de Deus segundo seus próprios termos. Sua oferta pareceu-lhe adequada, mas não correspondia àquilo que Deus havia requerido. Quando a oferta de Abel foi aceita, a ira de Caim voltou-se contra o irmão obediente. Aquele que seguia a orientação divina tornou-se uma repreensão viva à religião que Caim havia construído para si mesmo.

Esse é o princípio que torna a questão do sábado muito mais profunda do que uma disputa sobre dias. A pergunta fundamental é: quem possui o direito de determinar a forma da nossa obediência? Podemos certamente adorar a Deus todos os dias. Podemos orar na segunda-feira, cantar louvores no domingo e estudar a Bíblia na quarta-feira. Nada no mandamento proíbe isso. Mas a possibilidade de adorá-lo em outros dias não elimina o fato de que ele separou um dia específico para isso.

Se eu substituo aquilo que Deus ordenou por aquilo que me parece mais conveniente, a questão já não é apenas quando adoro, mas se aceito que Deus possui o direito de definir os termos da relação. O sábado torna essa questão concreta. Não é apenas uma convicção interior que pode ser afirmada sem consequência prática. Ele chega semanalmente e exige uma decisão real. Por isso, a questão da autoridade não pode permanecer abstrata.

A marca na fronte e na mão

Podemos agora compreender melhor por que a marca aparece na fronte ou na mão. A fronte representa a mente, o juízo e a convicção. Receber a marca na fronte significa aceitar interiormente a autoridade representada pela besta. A pessoa concorda que uma instituição humana pode estabelecer uma observância religiosa em oposição ao mandamento divino.

A mão, por sua vez, representa a ação. Uma pessoa pode conformar-se exteriormente sem estar intelectualmente persuadida. Pode agir por conveniência, pressão social, medo de perdas econômicas ou simples desejo de evitar dificuldades. Assim, alguns recebem a marca porque aceitam a reivindicação da besta; outros, porque se submetem na prática, ainda que tenham reservas interiores. A distinção entre fronte e mão parece corresponder precisamente a essas duas formas de sujeição.

Isso explica também por que não há necessidade de procurar a marca num chip, numa tatuagem ou num código. A marca exterior, qualquer que seja a forma da imposição, expressa uma realidade mais profunda: o reconhecimento da autoridade da besta no pensamento ou na conduta. A marca diz respeito àquilo que uma pessoa crê sobre a autoridade e à maneira como age quando essa autoridade entra em conflito com a palavra de Deus.

A marca da besta será o domingo?

Talvez você esteja agora um pouco encucado com tudo isso. Quem sabe esteja pensando: bom, segundo o paralelo que você fez entre o sinal de Deus e a marca da besta, e se o sinal de Deus é o sábado, então a marca da besta é o domingo? e o que é mais assustador: se o domingo está relacionado à autoridade da besta, então todos os cristãos que hoje guardam o domingo já estão marcados?

A resposta é não — e a razão é importante. Embora o domingo esteja, sim, relacionado à autoridade da besta, sua observância hoje ainda não constitui, por si mesma, a marca da besta. Afinal, milhões de cristãos guardam o domingo com plena sinceridade. Muitos aprenderam desde a infância que esse é o dia cristão de culto e jamais tiveram motivo para questionar essa tradição. Alguns nunca ouviram um estudo sério sobre o sábado; outros talvez nem sequer saibam que existe uma questão bíblica a ser examinada.

Ora, seria contrário ao caráter de Deus imaginar que ele condene alguém por rejeitar conscientemente uma verdade que nunca chegou a conhecer. A responsabilidade moral pressupõe alguma medida de conhecimento. Como Jesus ensinou, quanto maior a luz recebida, maior a responsabilidade. Portanto, a marca da besta não pode consistir simplesmente numa prática religiosa herdada e seguida em ignorância sincera. Ela precisa envolver uma escolha consciente de lealdade.

E é justamente isso que encontramos em Apocalipse 13. O capítulo situa a marca numa crise futura e específica, na qual a besta recupera sua influência, uma imagem é formada e a adoração passa a ser imposta por meio de sanções econômicas e, finalmente, da ameaça de morte. Nesse contexto, as duas autoridades já não permanecem indistintas diante das pessoas. Elas são colocadas claramente em oposição, e cada indivíduo é chamado a decidir a quem obedecerá.

A marca, portanto, não se relaciona simplesmente com aquilo que alguém recebeu de seus pais e praticou durante toda a vida sem conhecer outra possibilidade. Ela surge quando a questão foi esclarecida e, apesar disso, a pessoa escolhe submeter-se à autoridade da besta em oposição ao mandamento de Deus.

Somente quando a questão estiver suficientemente esclarecida e a observância do domingo — em oposição ao mandamento divino — for imposta como sinal de submissão é que a escolha assumirá o caráter descrito na profecia. Aqui, contudo, é necessário fazer uma distinção importante entre aquilo que o texto declara expressamente e aquilo que concluímos a partir de um argumento cumulativo.

Que o sábado é chamado de sinal de Deus, a Bíblia afirma diretamente. Que a besta representa o sistema religioso de Roma é a conclusão alcançada por meio da comparação entre Daniel e Apocalipse. Que esse sistema reivindica sua autoridade para substituir o sábado pelo domingo é um fato reconhecido na própria tradição católica. Mas Apocalipse 13 não contém uma frase que diga literalmente: “A marca da besta será uma lei dominical universal”. Essa identificação é uma conclusão interpretativa da leitura historicista adventista. Ela surge quando reunimos a identidade da besta, sua reivindicação de autoridade, a alteração do mandamento e a crise final em torno da adoração.

Alguns talvez pensem que admitir isso enfraquece o argumento. Não penso assim. Uma interpretação responsável deve distinguir os dados expressos no texto das conclusões construídas a partir deles. Fingir que todas as etapas possuem exatamente o mesmo grau de evidência não torna a interpretação mais forte; apenas esconde sua verdadeira estrutura. A questão, portanto, não é se há um versículo isolado que apresente toda a conclusão em uma única sentença. A questão é se essa conclusão explica de maneira coerente o conjunto dos dados. Penso que explica.

Se o sábado é o sinal da autoridade criadora de Deus, se a besta reivindica autoridade precisamente no ponto em que substitui esse mandamento e se o conflito final envolve a imposição da adoração, então a observância dominical exigida por lei oferece uma manifestação coerente da marca da besta. A marca estará na fronte quando essa autoridade for aceita conscientemente e na mão quando houver submissão prática, ainda que sem plena convicção interior.

O que devemos fazer?

Concluindo, então, a marca da besta não deve ser procurada primeiramente nas tecnologias que surgem e desaparecem a cada década. O contexto do Apocalipse aponta para um conflito em torno da adoração, da obediência e da autoridade.

A besta possui uma marca porque reivindica lealdade. Deus possui um selo porque também identifica aqueles que lhe pertencem. De um lado está a autoridade do Criador, expressa em sua Lei; do outro, a autoridade de um sistema humano que reivindica o direito de alterar essa Lei.

Isso significa que o problema não pode permanecer apenas no campo da curiosidade profética. Talvez seja possível estudar a identidade da besta, compreender os períodos proféticos e até concordar com toda a interpretação apresentada aqui, sem permitir que isso produza qualquer mudança pessoal.

Os profetas, porém, nunca transmitiram suas mensagens apenas para satisfazer a curiosidade dos leitores. A verdade exige uma resposta.

Talvez a tentação mais comum não seja rejeitar imediatamente aquilo que compreendemos. É simplesmente adiar. Dizemos que examinaremos melhor o assunto em outra ocasião, quando houver mais tempo, menos dificuldades ou circunstâncias mais favoráveis.

Mas até quando pode uma decisão ser adiada sem que o próprio adiamento se torne uma decisão?

Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. Observe a ordem. O amor vem primeiro. A obediência não é o meio pelo qual compramos o amor de Deus; ela é a resposta daquele que já foi alcançado por esse amor.

A questão do sábado, portanto, não deveria ser recebida como uma ameaça por aquele que ama a Cristo. Se Deus realmente falou, conhecer sua vontade é uma dádiva. E, se Cristo é verdadeiramente Senhor, então ele possui o direito de dirigir não apenas as partes da vida que julgamos importantes, mas também aquelas que talvez preferíssemos decidir por nós mesmos.

Assim, a pergunta final não é simplesmente: “Qual é o dia correto?”. A pergunta é mais profunda:

Quem possui, em minha vida, a palavra final?


Referências:

HERÓDOTO. Histórias.

MAXWELL, C. Mervyn. Uma nova era segundo as profecias do Apocalipse. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira. Obra utilizada como estrutura interpretativa para a seção referente à besta e à sua marca.

Leia também:

Apocalipse 13: uma besta que sobe do mar – Parte 1

Apocalipse 13: a besta que emerge do mar – Parte 2

A marca da besta vai ser um microchip? 

Quem é o Anticristo e como ele agirá no fim dos tempos?

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Graduando em História pela Universidade Estácio de Sá e estudioso de Teologia, defende a premissa de que o conhecimento se torna verdadeiramente valioso quando compartilhado. Junte-se a mim nessa jornada!

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