A Trindade

A Doutrina da Trindade Foi Criada no Concílio de Niceia?

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Você já leu ou ouviu algo assim?: “Este dogma de Niceia sobre a divindade de Cristo procede de Constantino.” Essa é uma daquelas frases que circulam em blogs de grupos que se apresentam como adventistas históricos. Segundo o que dizem, Constantino “impôs que o dogma falasse da igualdade de essência divina do Filho com o Pai”.1 A história por trás dessa frase é bem conhecida. Constantino acabara de ficar sozinho no trono de Roma e precisava de uma igreja unida para segurar um império partido. Convocou então os bispos, ditou uma fórmula, e a fé simples dos apóstolos saiu do concílio embalada como dogma Estatal. Desde então, quem confessa a Trindade estaria recitando, sem saber, o credo de um político.

É um enredo bem contado, com vilão e data marcada e tudo. Só que a sala onde tudo teria acontecido conta outra história.

Estamos em Niceia, na Bitínia, no ano 325 d.C. Mais de duzentos e cinquenta bispos chegaram de quase todo o mundo romano, segundo Eusébio de Cesareia, que estava lá.2 Olhe para eles. Paulo, bispo de Neocesareia, perdeu o uso das duas mãos, queimadas com ferro em brasa. Há homens a quem arrancaram o olho direito e outros que perderam o braço direito, e entre eles está Pafnúcio, do Egito. Teodoreto, que escreveu sobre o concílio mais de um século depois, resumiu a cena dizendo que aquilo parecia um exército de mártires reunido.3 E Sócrates Escolástico guardou um detalhe difícil de esquecer: Constantino mandava chamar Pafnúcio ao palácio com frequência e beijava o lugar de onde o olho dele tinha sido arrancado.4

Os homens que Constantino teria catequizado chegaram a Niceia, portanto, com a fé já provada na prisão, e alguns com o corpo marcado por ela. Claro que isso não resolve a questão, porque pessoas torturadas também pode estar erradas. Mas ajuda a formular a pergunta do jeito certo. Se a Trindade é uma invenção imperial, ela precisa ter duas marcas de nascença: não deveria existir antes do imperador, e deveria depender dele para sobreviver. O que faremos a seguir é ir atrás das duas. Vamos lá!

Antes de Constantino

Por volta do ano 112 d.C., Plínio, o Jovem, que não era cristão, governava a Bitínia, a mesma província onde fica Niceia. Chegavam-lhe denúncias contra cristãos, e ele, jurista cuidadoso, escreveu ao imperador Trajano para saber como agir. Na carta, conta o que apurou nos interrogatórios: os cristãos se reuniam num dia fixo, antes do amanhecer, e cantavam alternadamente um hino “a Cristo como a um deus” (carmenque Christo quasi deo dicere). Para tirar a limpo, Plínio mandou torturar duas escravas a quem os cristãos chamavam de ministrae, diaconisas, e não encontrou nada, diz ele, além de “uma superstição perversa e desmedida”.5

Essa é uma evidência e tanto, não? Mais de dois séculos antes do Concílio de Nicéia, um governador romano descobriu sob tortura que os cristãos adoravam a Cristo, e Constantino só nasceria dali a um século e meio.

O batismo

Quem quer saber em que uma comunidade crê faz bem em olhar para os ritos antes dos tratados, porque tratado é coisa de especialista e rito é coisa de todo mundo. E o rito de entrada da igreja primitiva continha três nomes. Jesus o ordenara assim: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28:19).

A Didaquê, um manual de igreja do fim do primeiro século ou do começo do segundo, repete a ordem com instruções quase domésticas: batize “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, em água viva”; se não houver água corrente, use outra; se nem isso houver, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.6 Por volta de 155 d.C., Justino explica ao imperador como se faz um cristão: o candidato recebe a lavagem com água “em nome de Deus, Pai e Senhor do universo, e de nosso Salvador Jesus Cristo, e do Espírito Santo”.7 Muito antes de alguém escrever um tratado sobre o que aqueles três nomes significavam, cada convertido do império já descia à água debaixo deles.

Um antitrinitário vai responder, com razão, que ele também aceita o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A fórmula mostra que os três nomes andavam juntos desde o começo, mas não diz, sozinha, como eles se relacionam. Para isso é preciso ver o que os cristãos faziam com esses nomes quando juravam, quando oravam e quando morriam.

O juramento de Clemente

Por volta do ano 96 d.C., a igreja de Roma escreveu à de Corinto a carta que conhecemos como 1 Clemente. Num ponto, ela pergunta: “Não temos nós um só Deus, um só Cristo e um só Espírito da graça derramado sobre nós?”8 Mais adiante, faz um juramento: “Pois tão certo como vive Deus, e vive o Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo, que são a fé e a esperança dos eleitos…”9

O que me chama a atenção é o juramento. Qualquer cristão daquela geração, familiarizado nas Escrituras hebraicas, conhecia a fórmula com a qual Israel jurava: “Tão certo como vive o SENHOR” (1 Samuel 14:39). E não era uma fórmula qualquer. Quando Jeremias fala dos povos vizinhos que um dia aprenderiam a jurar “pelo meu nome: Tão certo como vive o SENHOR, como ensinaram o meu povo a jurar por Baal” (Jeremias 12:16), fica claro que jurar pela vida de um deus era declarar a qual deus se pertencia. A Bíblia também registra juramentos pela vida de homens, como o de José “pela vida de Faraó” (Gênesis 42:15), e por isso eu não diria que todo juramento desse tipo fosse um ato de culto. Mas Clemente não coloca o Filho e o Espírito ao lado de um rei ou de um interlocutor. Coloca os dois no lugar do “vive Deus”, e diz que os três juntos são “a fé e a esperança dos eleitos”. Para um leitor da Bíblia, fé e esperança depositadas numa criatura têm nome, e o nome não é bom (Jeremias 17:5).

Os mártires

Por volta de 110, Inácio, bispo de Antioquia, foi levado acorrentado a Roma para ser lançado às feras. Pelo caminho escreveu cartas às igrejas, e nelas chama Jesus, sem cerimônia, de “nosso Deus”: “nosso Deus, Jesus, o Cristo, foi concebido no ventre de Maria”.10 Aos efésios, explicou a salvação com uma imagem de canteiro de obras. Os crentes são “pedras de um templo” preparadas para o edifício de Deus Pai, “içadas às alturas pelo guindaste de Jesus Cristo, que é a cruz, usando como corda o Espírito Santo”.11 É uma carta pastoral, escrita por um homem a caminho da morte, e mesmo assim o Pai, o Filho e o Espírito aparecem trabalhando juntos na mesma obra, cada um no seu papel.

Uns quarenta e cinco anos depois, em Esmirna, o velho bispo Policarpo foi levado à fogueira. Quando o procônsul exigiu que ele amaldiçoasse a Cristo, respondeu: “Há oitenta e seis anos eu o sirvo, e ele nunca me fez mal algum. Como posso blasfemar do meu Rei, que me salvou?” Já amarrado, orou, e a oração termina assim: “por meio do eterno e celestial Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, teu Filho amado, por meio de quem, a ti, com ele e com o Espírito Santo, seja a glória, agora e pelos séculos vindouros. Amém”.12 São as últimas palavras de um homem que servia a Cristo havia oitenta e seis anos, ditas com a lenha já empilhada, e elas dão glória ao Pai com o Filho e com o Espírito Santo. Faltavam uns cento e setenta anos para o concílio que, segundo a acusação, inventaria essa fé.

Explicando a fé aos pagãos

Os cristãos do segundo século eram acusados de ateísmo, porque não adoravam os deuses da cidade. Justino respondeu à acusação numa defesa dirigida ao próprio imperador, e o trecho está entre os preferidos dos antitrinitários, com razão. Justino diz que os cristãos são ateus em relação àqueles deuses, “mas não em relação ao Deus verdadeiríssimo, o Pai da justiça”, e continua: “a ele, e ao Filho (que dele veio e nos ensinou estas coisas, e à hoste dos outros anjos bons que o seguem e se tornam semelhantes a ele), e ao Espírito profético, nós cultuamos e adoramos”.13

Os anjos estão na frase, sim. Há quem leia a construção de outro modo, como se o Filho nos tivesse ensinado “a respeito” dos anjos, mas a leitura é disputada e não resolve o problema. Poucos capítulos depois, Justino ainda diz que os cristãos põem o Filho “em segundo lugar” e o Espírito profético “em terceiro”.14 Justino não fala como um teólogo niceno. O que o texto mostra, e mostra bem, é que diante de um imperador pagão, sob acusação de ateísmo, a defesa cristã nomeava o Pai, o Filho e o Espírito como objeto do culto que os cristãos recusavam a todos os deuses do império. Justino foi decapitado em Roma por volta de 165.

Uns vinte anos depois, Atenágoras de Atenas enfrentou a mesma acusação com mais precisão. Quem não se espantaria, pergunta ele, de ouvir chamar de ateus homens “que falam de Deus Pai, de Deus Filho e do Espírito Santo, e que declaram tanto o seu poder na unidade quanto a sua distinção na ordem”?15 Mais adiante, fala da “unidade destes três, o Espírito, o Filho, o Pai”.16 Poder na unidade e distinção na ordem, um século e meio antes de Niceia.

As palavras

Palavras técnicas costumam nascer quando uma igreja precisa falar com precisão de algo que já pratica. Por volta de 180, Teófilo de Antioquia, comentando os dias da criação, escreve que os três dias anteriores aos luminares “são figuras da Trindade (triados), de Deus, do seu Verbo e da sua Sabedoria”.17 A leitura é alegórica, um tanto fantasiosa, e a tríade aparece descrita como Deus, Verbo e Sabedoria. Mas a palavra está ali, usada de passagem e sem explicação. Isso não prova que o termo fosse comum; prova que já existia quase um século e meio antes de Niceia. E, detalhe curioso, o credo de Niceia nem sequer usa essa palavra.

Na mesma época, Ireneu de Lião, que na juventude conhecera Policarpo, escreve que com Deus “sempre estiveram presentes o Verbo e a Sabedoria, o Filho e o Espírito”, por meio de quem ele fez todas as coisas e a quem disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”.18 Repare nesse “a quem”: para Ireneu, o Espírito está entre aqueles com quem Deus conversa na criação, e não entre as coisas criadas. Ele insiste que o Verbo, isto é, o Filho, sempre esteve com o Pai, e que a Sabedoria, que é o Espírito, estava presente com ele “antes de toda a criação”.19

Então vem Tertuliano, em Cartago, por volta de 213. Escrevendo contra Práxeas, que confundia o Pai com o Filho, usa a palavra latina trinitas e diz que a economia divina “dispõe a unidade em trindade”, ordenando três, o Pai, o Filho e o Espírito: três “não em condição, mas em grau; não em substância, mas em forma; não em poder, mas em aspecto”, porém “de uma só substância, de uma só condição e de um só poder”.20 Mais adiante, faz uma observação de gramático das mais úteis. Comentando “Eu e o Pai somos um”, nota que Jesus disse unum, no neutro, e não unus, no masculino. Os três, diz ele, “são um [unum], não um só [unus]”, e a frase aponta “para a unidade da substância, não para a singularidade do número”.21

O português não ajuda aqui, porque só temos um “um”, e o latim tem dois: unus é “um só alguém”, unum é “uma só coisa”. Tertuliano está dizendo que o Pai, o Filho e o Espírito não são um só alguém, mas uma só realidade divina, e diz isso em latim técnico mais de um século antes de Niceia.

Roma, por volta de 260

Há ainda um documento que considero decisivo. Dionísio, bispo de Roma por volta de 260, escreve contra dois erros opostos: o dos que dissolviam o Pai, o Filho e o Espírito numa só pessoa e o dos que dividiam “a maravilhosa e divina Mônada” em três divindades. E acrescenta: “É uma blasfêmia dizer que o Senhor seja, de algum modo, obra feita. Pois, se ele veio a ser Filho, houve um tempo em que não era; mas ele sempre foi”. Assim, conclui Dionísio, se preservam “tanto a divina Tríade quanto a santa pregação da Monarquia”.22

Mais de sessenta anos antes de Niceia, e bem antes de Ário se tornar um nome conhecido, a tese que seria o coração do arianismo, “houve quando ele não era”, já tinha sido chamada de blasfêmia pelo bispo de Roma. A primeira marca de nascença não aparece.

O que eles ainda não sabiam dizer

O mesmo Tertuliano que cunhou trinitas escreveu, contra Hermógenes, que houve “um tempo em que nem o pecado nem o Filho existiam com ele”: Deus sempre foi Deus, mas só teria se tornado Pai quando o Filho veio a existir.23 Orígenes de Alexandria, o maior intelectual cristão do século III, chegou a chamar o Filho de “segundo Deus”.24 E Justino, como vimos, punha o Filho “em segundo lugar”. Aqui o antitrinitário cita certo. Os escritores anteriores a Niceia não falavam como teólogos nicenos, e havia na tradição uma corrente forte de subordinação, em que o Filho era Deus, mas derivado, em segundo lugar, às vezes com um começo ligado à obra da criação.

Só que o Orígenes do “segundo Deus” é o mesmo que Atanásio cita com um argumento que parece escrito contra Ário: se o Filho é a imagem do Deus invisível, quando teria Deus existido sem o resplendor da própria glória? Quem ousa dizer “houve um tempo em que o Filho não era”, argumenta Orígenes, está dizendo, na prática, que houve um tempo em que a Sabedoria não era, o Verbo não era, a Vida não era.25 As duas correntes passam pelo mesmo homem. Orígenes deixou uma herança dividida, e no século IV um herdeiro ficou com o “segundo Deus” enquanto o outro ficou com o “nunca houve quando ele não era”. O primeiro se chamava Ário.

Então a teologia nicena, com todo o seu vocabulário, não existia pronta no século II, e admitir isso não me custa nada, porque nunca foi isso o que estava em jogo. O que Niceia protegeu foi a adoração do Pai, do Filho e do Espírito como o único Deus, e a divindade de Cristo. Isso existia antes do imperador, e os textos acima o demonstram.

O antitrinitário mais preparado não vai negar esses textos. Vai dizer que a apostasia começou cedo, que o “mistério da iniquidade” já operava nos dias de Paulo (2 Tessalonicenses 2:7), e que os escritores do segundo século já estavam contaminados pela filosofia grega. Mas perceba o que essa resposta faz com a acusação original: Constantino sai de cena. O culpado agora teria de estar na virada do primeiro para o segundo século, na geração de Clemente, da Didaquê e de Inácio, quando ainda havia gente viva que tinha ouvido os apóstolos. E a explicação pela filosofia grega tropeça logo no texto mais antigo, porque o juramento de Clemente não vem de Platão, vem da sinagoga. Os cristãos que Plínio interrogou também não parecem filósofos. Eram gente que acordava antes do sol para cantar a Cristo e que tinha escravas entre os seus ministros. Pode-se sustentar que a corrupção começou ali, mas então é preciso dizê-lo com todas as letras, e já não se está falando de Niceia.

As definições precisas, aliás, sempre chegaram assim, atrasadas e empurradas por alguém. Tertuliano só escreveu “três de uma só substância” porque Práxeas confundiu o Pai com o Filho, e Dionísio só escreveu sobre a Tríade e a Monarquia porque havia quem dissolvesse as pessoas e quem dividisse a divindade. Enquanto todos batizam, juram e oram em nome do Pai, do Filho e do Espírito, ninguém sente falta de uma definição com precisão de cartório. Ela aparece quando alguém nega o que todos confessavam. No começo do século IV, esse alguém apareceu em Alexandria.

Ário, nas palavras de Ário

Por volta de 318, um presbítero culto e popular chamado Ário começou a ensinar que o Filho de Deus teve começo. Não era tolo, nem gnóstico disfarçado, como às vezes se diz por aí. Numa carta ao seu bispo, Alexandre, rejeita expressamente a ideia de Valentino, o gnóstico, de que o Filho seria uma emanação do Pai, e se esforça para soar ortodoxo: o Filho seria “criatura perfeita de Deus, mas não como uma das criaturas”.26 Ário levava a Bíblia a sério e tentava resolver um problema real.

As palavras dele são claras. Nos versos da Thalia, escreve que “Deus nem sempre foi Pai”, que “o Filho nem sempre existiu”, que “houve quando ele não era”.27 Numa carta ao amigo Eusébio, bispo de Nicomédia, reclama que o bispo Alexandre o expulsou da cidade e explica o motivo: “Somos perseguidos porque dizemos que o Filho tem começo, mas Deus é sem começo”. E resume, em tom de queixa, o que o bispo pregava: “sempre Deus, sempre Filho”.28

A carta foi escrita para defender Ário, e acaba registrando duas coisas que ele certamente não pretendia provar: que era ele quem estava sendo tratado como inovador, e que o bispo da igreja mais importante do Egito ensinava em público, antes de qualquer concílio e antes de qualquer imperador se meter no assunto, “sempre Deus, sempre Filho”. Quem mudou a pergunta foi Ário.

O imperador que achava tudo uma bobagem

Pois bem, e Constantino? Em 324 ele tinha derrotado Licínio e ficado sozinho à frente do império. Quando a briga de Alexandria chegou até ele, a primeira reação foi escrever aos dois lados, Alexandre e Ário, pedindo calma, numa carta que Eusébio preservou. Para o imperador, tudo começou porque Alexandre perguntou aos presbíteros o que pensavam sobre certa passagem das Escrituras, e Ário respondeu com imprudência algo que “nunca deveria ter sido concebido” ou, uma vez concebido, deveria ter sido “sepultado em profundo silêncio”.29 A causa da disputa, diz ele, era “de caráter verdadeiramente insignificante e totalmente indigna de tão feroz contenda”; os dois brigavam por “questões pequenas e totalmente insignificantes”.30 O homem que teria inventado a Trindade achava que a questão central dela era picuinha de teólogo!

A carta não resolveu nada, e Constantino convocou o concílio. Participou das sessões pessoalmente, ainda sem ser batizado, e Eusébio conta que ele ia apoiando ora o argumento de um lado, ora o de outro, até levar os mais exaltados a um acordo.31 O resultado foi um credo que dizia do Filho que ele é

Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial [homoousios] ao Pai.

e que terminava com uma condenação:

Quanto aos que dizem “houve um tempo em que ele não era”, ou “antes de ser gerado ele não existia”, ou que “ele foi feito do nada”, ou afirmam que ele é de outra substância ou essência que não a do Pai, ou que o Filho de Deus é criado, ou mutável, ou sujeito a mudança, a Igreja católica e apostólica de Deus os anatematiza.32

“Católica”, aqui, quer dizer “universal”, e não “romana”. O bispo de Roma, aliás, nem foi a Niceia: a idade avançada o impediu, e presbíteros seus o representaram.2

O credo também não foi um texto neutro, escrito para agradar a todas as correntes. A palavra homoousios foi escolhida porque os partidários de Ário não podiam aceitá-la, e as frases condenadas no final são, quase palavra por palavra, frases de Ário. Sobre o Espírito Santo, o credo de 325 tem uma única linha, “e no Espírito Santo”, de modo que quem diz que “a Trindade foi votada em Niceia” nunca leu o que Niceia votou. O concílio tratou da divindade do Filho; a formulação mais completa sobre o Espírito só viria em 381.

Onde o crítico tem razão

O blog do começo, porém, não tirou a frase do nada. Eusébio de Cesareia, numa carta à sua igreja escrita logo depois do concílio, conta que foi o próprio imperador quem recomendou o credo e aconselhou a inclusão da palavra homoousios, explicando que ela não devia ser entendida no sentido de afecções corporais, como se o Filho fosse um pedaço cortado do Pai.33 Constantino apoiou a palavra, e há uma fonte de primeira mão que o diz.

Convém lembrar quem está falando. Eusébio escreve para explicar à própria congregação por que assinou uma fórmula que o incomodava, e é difícil não notar que pôr a iniciativa na conta do imperador o protegia. O testemunho não deve ser descartado, mas também não vem de um observador neutro. E, mesmo tomado ao pé da letra, mostra um imperador apoiando uma palavra, e não inventando a convicção que ela protegia; essa convicção estava nos batistérios, nos juramentos e nas fogueiras havia dois séculos.

Também houve coerção. Cinco bispos resistiram de início ao homoousios. Ário foi condenado, e com ele Teonas de Marmárica e Secundo de Ptolemaida; um edito do imperador mandou Ário para o exílio, e Eusébio de Nicomédia e Teógnis de Niceia, que se recusaram a subscrever a deposição de Ário, acabaram exilados também.34 Pouco depois, o imperador publicou uma carta mandando queimar todo escrito de Ário que fosse encontrado, e determinando que quem escondesse um desses livros e não o entregasse imediatamente seria punido com a morte.35 Isso é coerção religiosa, pura e simples, e um adventista, que tem a liberdade de consciência no centro da sua mensagem, não tem como aplaudir.

Ora, o que isso prova é que Constantino usou o braço do Estado para fazer valer a decisão de um concílio, exatamente o casamento entre trono e altar que nós denunciamos. Não prova que a decisão tenha nascido dele. E há um teste melhor do que qualquer carta, que é o que aconteceu depois: se a doutrina fosse de Constantino, deveria ficar de pé enquanto o trono a sustentasse e cair quando o trono mudasse de lado.

Siga o trono

Por volta de 327, um presbítero muito próximo de Constância, irmã do imperador, começou a insinuar nas conversas com ela que o concílio tinha sido injusto com Ário. A ideia chegou a Constantino, que escreveu: se Ário concordar com o sínodo, “eu lhe darei audiência e o mandarei de volta a Alexandria com honra”. Ário foi recebido pelo imperador.36 Eusébio de Nicomédia e Teógnis de Niceia, exilados por concordarem com Ário, foram chamados de volta por decreto imperial e reconduzidos às suas igrejas.37

Em 335, um sínodo reunido em Tiro, dominado pelos aliados de Ário, depôs Atanásio, que havia sucedido Alexandre como bispo de Alexandria e era o maior defensor de Niceia. Constantino, irritado com a acusação de que Atanásio ameaçara reter o trigo que Alexandria enviava a Constantinopla, mandou-o para o exílio em Tréveris, na Gália.38 No ano seguinte, por ordem do imperador, Ário deveria ser readmitido à comunhão da igreja de Constantinopla, e morreu na véspera.39 (Ário, diga-se de passagem, nunca foi bispo, apesar do que se lê em alguns textos; era presbítero, e o que estava em jogo em 336 era a sua volta à comunhão.)

Em 337, já à beira da morte, Constantino enfim se batizou. Quem o batizou? Eusébio de Nicomédia, o maior aliado de Ário. Jerônimo, ao registrar o fato em sua Crônica, resume numa frase seca: batizado por Eusébio, Constantino “inclina-se para o dogma ariano” (in Arrianum dogma declinat).40

O imperador acusado de ter inventado a Trindade passou, portanto, a última década da vida reabilitando Ário, mandou para o exílio o maior defensor de Niceia e morreu batizado pelo principal aliado de Ário. Se isso é o comportamento de um inventor, trata-se do inventor mais arrependido da história.

E a coisa fica pior para a teoria depois dele! Constâncio II, o filho que herdou o Oriente e depois o império inteiro, favoreceu abertamente os adversários de Niceia. Atanásio foi exilado de novo, e mais uma vez. No Ocidente, bispos que se recusavam a condenar Atanásio foram banidos: Libério, bispo de Roma, em 355, e Hilário de Poitiers, em 356; o velho Ósio de Córdoba, já quase centenário, foi pressionado até ceder. Em 359, em Rimini, os bispos ocidentais foram pressionados até aceitarem uma fórmula que suprimia a linguagem de Niceia, e no ano seguinte um concílio em Constantinopla a confirmou como fé oficial. Jerônimo descreveu aquele momento numa frase que ficou célebre: “Aboliu-se o nome de ousia; proclamou-se aos gritos a condenação da fé nicena. O mundo inteiro gemeu e se espantou de se ver ariano”.41

No Ocidente houve uma exceção, o imperador Constante, que protegeu Atanásio durante alguns anos. Mas na metade oriental do império, onde a controvérsia fervia, o trono passou a maior parte daquele meio século do lado contrário a Niceia. Juliano, o imperador pagão, também exilou Atanásio, e Valente, que governou o Oriente de 364 a 378, voltou a apoiar os antinicenos. Somando tudo, Atanásio foi mandado para o exílio cinco vezes, por quatro imperadores diferentes.

Uma doutrina pode, sim, sobreviver por hábito depois que o poder que a impôs muda de lado. Hábito, porém, não aguenta cinco exílios. E o próprio século IV oferece a comparação, pronta. A doutrina que de fato vivia do trono era a fórmula de Rimini. Quando o trono mudou de lado, em 380, ela perdeu em poucas décadas quase todo o terreno que tinha dentro do império, e onde sobreviveu foi à sombra de reis, entre os godos e os povos que eles evangelizaram. A fé de Niceia passou meio século com o palácio contra e continuou de pé. A segunda marca de nascença também não aparece nela; quem a tem é a doutrina rival.

A objeção que sobra

Um crítico bem informado, a esta altura, vai largar Constantino e trocar de imperador, e tem uma carta boa na mão. Em fevereiro de 380, Teodósio publicou em Tessalônica o edito conhecido por suas primeiras palavras, Cunctos populos. Ele determina que todos os povos do império sigam a religião que o apóstolo Pedro transmitiu aos romanos, e define: “creiamos na única divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sob a noção de igual majestade e da santa Trindade”. Quem discordasse carregaria “a infâmia do dogma herético” e seria punido “primeiro pela vingança divina e, depois, pela retribuição da nossa própria iniciativa”.42 No ano seguinte, o concílio de Constantinopla completou o credo de Niceia exatamente onde ele dizia pouco, confessando o Espírito Santo, que “com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.

É o Estado impondo uma confissão sob ameaça de castigo. Como adventista, eu condeno isso, e condenaria do mesmo jeito se a fé imposta fosse a minha. Aliás, era.

Mas Teodósio não criou nada. O próprio edito aponta para fora de si, mandando seguir a fé ensinada por Dâmaso, bispo de Roma, e por Pedro, bispo de Alexandria: ele escolheu um lado que já existia e que tinha atravessado meio século contra o poder. E o que o concílio de 381 disse sobre o Espírito, “com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”, é quase a oração de Policarpo na fogueira, mais de dois séculos antes, dando glória ao Pai com o Filho e com o Espírito Santo.

E há os godos. Se o apoio imperial desqualifica uma doutrina, o arianismo é o primeiro desqualificado, porque os godos, que se tornariam o grande povo ariano da Europa, receberam o arianismo do imperador. Sócrates Escolástico conta que Úlfilas, o bispo dos godos, aderiu ao credo aprovado em Constantinopla em 360, “embora antes tivesse aderido ao de Niceia”, pois era discípulo de Teófilo, bispo dos godos, que estivera em Niceia e assinara o que ali se decidiu.43 E quando o chefe godo Fritigerno pediu socorro ao imperador Valente, abraçou em agradecimento “a religião do seu benfeitor” e levou seu povo a fazer o mesmo. É por isso, diz Sócrates, que tantos godos seguiam o arianismo ainda em seus dias: aderiram a ele “por causa do imperador”.44

Isso pesa sobre um argumento que circula em meios adventistas. A interpretação adventista clássica de Daniel 7 identifica os três chifres arrancados diante do chifre pequeno com os hérulos, os vândalos e os ostrogodos, e um material antitrinitário tira daí a seguinte conclusão: “essas três tribos pertenciam ao ramo ariano do cristianismo que não aceitava a doutrina da trindade”, logo a Trindade seria a doutrina do chifre pequeno.45

Que eram povos arianos, é verdade. Daí não se segue que estivessem certos. Daniel 7 descreve um poder que arranca rivais para se erguer, e ser arrancado pelo chifre pequeno não é certificado de ortodoxia; os vândalos, por exemplo, perseguiram com violência os cristãos nicenos do norte da África. E falta perguntar de onde veio o arianismo desses povos. O arianismo germânico entrou em grande parte por aquela porta gótica, aberta nos dias de Constâncio e de Valente. Levado até o fim, o argumento dos três chifres acaba apontando na direção contrária: o credo que esses povos defendiam era o dos imperadores do século IV, e não o de Niceia.

Um beijo na cicatriz

A Trindade tem registro anterior a Constantino e sobreviveu a ele e aos filhos dele, e uma doutrina inventada por imperador não faz nem uma coisa nem outra. O que a história não pode fazer é provar que a Trindade é verdadeira. Isso se decide na Escritura, e é lá que a discussão tem de ser travada. Mas a acusação de que Constantino inventou a doutrina é uma acusação histórica, e no terreno da história ela perde.

Se o leitor adventista quer um legado de Constantino para lamentar, ele existe e tem data. Em março de 321, uma lei imperial mandou que juízes, povo das cidades e artesãos descansassem “no venerável dia do Sol”.46 Essa lei tem a assinatura dele.

E fico com a cena que Sócrates guardou: Constantino mandando chamar Pafnúcio ao palácio para beijar o lugar de onde o olho dele fora arrancado. O imperador podia beijar a cicatriz, mas não tinha sido ele a abri-la, nem a dar àquele homem a fé pela qual ele a recebeu.

Referências e fontes

As citações patrísticas foram traduzidas para o português a partir das traduções inglesas clássicas (Ante-Nicene Fathers, Nicene and Post-Nicene Fathers e J. B. Lightfoot), conferidas com o latim onde o texto latino aparece citado. Os links levam a edições livres na internet. Textos bíblicos: Almeida Revista e Atualizada (ARA).

1. ADVENTISTAS HISTÓRICOS DE BAGÉ-RS. “História: como o imperador Constantino tornou-se o pai do dogma católico da Trindade”, 23 fev. 2014. https://adventistashistoricosbage.blogspot.com/2014/02/historia-como-o-imperador-constantino.html

2. EUSÉBIO DE CESAREIA. Vida de Constantino III.7-8. https://www.newadvent.org/fathers/25023.htm

3. TEODORETO DE CIRO. História Eclesiástica I.6 (numeração da tradução NPNF). https://www.newadvent.org/fathers/27021.htm

4. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica I.11. https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.iv.xi.html

5. PLÍNIO, O JOVEM. Cartas X.96. https://www.thelatinlibrary.com/pliny.ep10.html

6. Didaquê 7.1-3. https://www.newadvent.org/fathers/0714.htm

7. JUSTINO. I Apologia 61. http://www.earlychristianwritings.com/text/justinmartyr-firstapology.html

8. 1 Clemente 46.6. http://www.earlychristianwritings.com/text/1clement-lightfoot.html

9. 1 Clemente 58.2. http://www.earlychristianwritings.com/text/1clement-lightfoot.html

10. INÁCIO DE ANTIOQUIA. Aos Efésios 18.2. Citado pela recensão média, que reúne as sete cartas autênticas; a chamada recensão longa é uma ampliação do século IV e não foi usada. http://www.earlychristianwritings.com/text/ignatius-ephesians-lightfoot.html

11. INÁCIO DE ANTIOQUIA. Aos Efésios 9.1. http://www.earlychristianwritings.com/text/ignatius-ephesians-lightfoot.html

12. Martírio de Policarpo 9.3; 14.3. http://www.earlychristianwritings.com/text/martyrdompolycarp-lightfoot.html

13. JUSTINO. I Apologia 6. https://www.newadvent.org/fathers/0126.htm

14. JUSTINO. I Apologia 13. https://www.newadvent.org/fathers/0126.htm

15. ATENÁGORAS. Petição em favor dos cristãos 10. https://www.newadvent.org/fathers/0205.htm

16. ATENÁGORAS. Petição em favor dos cristãos 12. https://www.newadvent.org/fathers/0205.htm

17. TEÓFILO DE ANTIOQUIA. A Autólico II.15. https://www.newadvent.org/fathers/02042.htm

18. IRENEU DE LIÃO. Contra as Heresias IV.20.1. https://www.newadvent.org/fathers/0103420.htm

19. IRENEU DE LIÃO. Contra as Heresias IV.20.3. https://www.newadvent.org/fathers/0103420.htm

20. TERTULIANO. Contra Práxeas 2. Latim: https://www.thelatinlibrary.com/tertullian/tertullian.praxean.shtml ; inglês: https://www.newadvent.org/fathers/0317.htm

21. TERTULIANO. Contra Práxeas 25 (“qui tres unum sunt, non unus […] ad substantiae unitatem non ad numeri singularitatem”). https://www.thelatinlibrary.com/tertullian/tertullian.praxean.shtml

22. DIONÍSIO DE ROMA, citado em ATANÁSIO, Sobre os decretos do Sínodo de Niceia 26. https://www.newadvent.org/fathers/2809.htm

23. TERTULIANO. Contra Hermógenes 3. https://www.newadvent.org/fathers/0313.htm

24. ORÍGENES. Contra Celso V.39 (a expressão reaparece em V.61). https://www.newadvent.org/fathers/04165.htm

25. ORÍGENES, citado em ATANÁSIO, Sobre os decretos do Sínodo de Niceia 27. https://www.newadvent.org/fathers/2809.htm

26. ÁRIO. Carta a Alexandre, citada em ATANÁSIO, Sobre os Sínodos 16. https://www.newadvent.org/fathers/2817.htm

27. ÁRIO. Thalia, citada em ATANÁSIO, Discursos contra os arianos I.5. https://www.newadvent.org/fathers/28161.htm

28. ÁRIO. Carta a Eusébio de Nicomédia, em TEODORETO DE CIRO, História Eclesiástica I.4 (numeração da tradução NPNF). https://www.newadvent.org/fathers/27021.htm

29. EUSÉBIO DE CESAREIA. Vida de Constantino II.69. https://www.newadvent.org/fathers/25022.htm

30. EUSÉBIO DE CESAREIA. Vida de Constantino II.68; II.71. https://www.newadvent.org/fathers/25022.htm

31. EUSÉBIO DE CESAREIA. Vida de Constantino III.13. https://www.newadvent.org/fathers/25023.htm

32. Credo de Niceia e anátema, conforme a carta de Eusébio de Cesareia à sua igreja, em SÓCRATES ESCOLÁSTICO, História Eclesiástica I.8. https://www.newadvent.org/fathers/26011.htm

33. EUSÉBIO DE CESAREIA. Carta à sua igreja, em SÓCRATES ESCOLÁSTICO, História Eclesiástica I.8. https://www.newadvent.org/fathers/26011.htm

34. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica I.8 (resistência dos cinco bispos e exílios) e I.9 (carta sinodal sobre Teonas e Secundo). https://www.newadvent.org/fathers/26011.htm ; https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.iv.ix.html

35. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica I.9. https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.iv.ix.html

36. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica I.25. https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.iv.xxv.html

37. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica I.14. https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.iv.xiv.html

38. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica I.35. https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.iv.xxxv.html

39. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica I.38. https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.iv.xxxviii.html

40. JERÔNIMO. Crônica, ano 337 (continuação da Crônica de Eusébio).

41. JERÔNIMO. Diálogo contra os luciferianos 19 (“Usiae nomen abolitum est: Nicaenae fidei damnatio conclamata est. Ingemuit totus orbis, et Arianum se esse miratus est”). https://la.wikisource.org/wiki/Dialogus_contra_Luciferianos_(Hieronymus)

42. Código Teodosiano XVI.1.2 (edito Cunctos populos, 380). Latim: https://www.thelatinlibrary.com/theodosius/theod16.shtml ; tradução inglesa de Clyde Pharr, The Theodosian Code (Princeton, 1952).

43. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica II.41. https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.v.xli.html

44. SÓCRATES ESCOLÁSTICO. História Eclesiástica IV.33. https://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf202.ii.vii.xxxiii.html

45. ADVENTISTAS HISTÓRICOS. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (estudo em PDF, sem autor indicado). https://www.adventistas-historicos.com/arquivos/1519736703-5.PDF

46. Código de Justiniano III.12.2 (março de 321). https://www.thelatinlibrary.com/justinian/codex3.shtml


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Graduando em História pela Universidade Estácio de Sá e estudioso de Teologia, defende a premissa de que o conhecimento se torna verdadeiramente valioso quando compartilhado. Junte-se a mim nessa jornada!

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