Imortalidade da Alma

Jesus desceu ao inferno após a cruz?

Jesus desceu ao inferno após a cruz
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“Após ter conquistado a salvação para todos os homens na cruz do Calvário, o Senhor Jesus desceu às partes mais baixas da Terra, onde foi resgatar aqueles que, no seio de Abraão, aguardavam o cumprimento da promessa do Messias, em quem haviam crido (Efésios 4:9).“

Essa frase não saiu de um livro esotérico nem de um pregador extravagante de televisão. Ela está no comentário do Pr. Jairo Teixeira Rodrigues à Lição 1 da Escola Bíblica Dominical do segundo trimestre de 2021, publicado no portal da Assembleia de Deus no Estado de Alagoas. E o texto continua: depois disso, “o Senhor, então, subiu aos céus, levando cativo o cativeiro (Efésios 4:8), ou seja, levando os justos que haviam crido n’Ele antes de Sua vinda para o Paraíso, juntamente com o ladrão que se arrependeu na cruz (Lucas 23:43), o terceiro céu que foi visitado por Paulo em um arrebatamento (II Coríntios 12:4).“

O mais revelador é que a lição nem era sobre a morte de Cristo. O tema do trimestre eram os dons espirituais e ministeriais. A descida ao seio de Abraão aparece de passagem, sem argumentação, apenas com referências entre parênteses, como algo que qualquer aluno de Escola Dominical já sabe.

Se você cresceu numa igreja evangélica no Brasil, provavelmente aprendeu alguma coisa parecida, talvez numa classe de adolescentes, talvez num sermão de Páscoa. A ideia tem apelo. Abraão, Moisés e Davi esperando num lugar de descanso debaixo da terra, até que o Messias chega, abre as portas e os conduz em triunfo para o céu. Quem não se emociona com isso?

Mas a pergunta que interessa é se a ideia é bíblica. E, quando colocamos os textos na mesa, um por um, a resposta é não. Jesus não desceu ao inferno para sofrer, nem para lutar com o diabo, nem para esvaziar um compartimento do mundo dos mortos. O que a Bíblia diz é mais simples e, para mim, muito mais impressionante: Jesus morreu, de verdade, e ficou no túmulo até o terceiro dia.

Bem, vamos por partes.

Três versões de uma mesma descida

Antes de discordar de alguém, precisamos entender o que ele diz. E já de início encontramos uma dificuldade: “Jesus desceu ao inferno” é uma frase que abriga pelo menos três crenças diferentes, que às vezes se contradizem entre si.

A primeira versão acabamos de ver. Ela é muito difundida entre evangélicos e pentecostais brasileiros e é defendida com seriedade. O Pr. João Flávio Martinez, do CACP, um dos ministérios apologéticos mais conhecidos do país, a expõe assim: O Sheol ou Hades, o lugar dos mortos, seria “uma região com três divisões”: o território dos salvos, chamado “Paraíso” e “Seio de Abraão”, o abismo e o local dos perdidos; os territórios dos salvos e dos perdidos seriam separados pelo “grande abismo” da história do rico e Lázaro (Lucas 16:26). Quando morreu, Jesus teria ido, em alma, para o lado do paraíso, cumprindo a promessa feita ao ladrão (Lucas 23:43), enquanto o corpo ficou no túmulo. Teria também ido “pregar (proclamar)” aos “espíritos em prisão” (1 Pedro 3:19). E, ao subir aos céus, teria levado consigo os justos que estavam no paraíso (Efésios 4:8-10), deixando intacto o lado dos perdidos. Quanto ao lugar onde eles estão agora, Martinez escreve que “hoje esse local é localizado debaixo do altar de Deus” (Apocalipse 6:9). Os dois defensores que citei não descrevem o mapa do mesmo jeito: para Martinez, o paraíso era um dos compartimentos do Hades; para o Pr. Jairo, o paraíso é o terceiro céu, e nas “partes mais baixas da Terra” ficava apenas o seio de Abraão. Concordam, porém, no essencial, que é o que vou examinar: os justos do Antigo Testamento esperavam num lugar debaixo da terra, e Jesus desceu até lá para buscá-los. Note bem: em nenhum dos dois textos Jesus sofre no inferno. Ele desce como vencedor.

Já a segunda versão é mais popular do que acadêmica: Jesus desceu ao inferno, enfrentou Satanás no território dele e saiu de lá com as chaves da morte e do inferno na mão. Raramente ela aparece defendida num livro ou num artigo; vive sobretudo na pregação oral. Mas a quantidade de textos e vídeos evangélicos brasileiros dedicados a refutá-la mostra que continua viva na mente de muitos fiéis.

A terceira versão é a mais grave. Ela circula no movimento da Palavra da Fé, que tem em Kenneth Hagin o seu pai e em Kenneth Copeland um de seus nomes mais conhecidos, e ganhou alcance ainda maior com Joyce Meyer, professora bíblica, palestrante e autora cristã norte-americana, muito lida no Brasil. Segundo ela, Jesus desceu ao inferno como condenado, para terminar de pagar pelos nossos pecados. Em seu livreto The Most Important Decision You Will Ever Make (1991), Meyer escreveu: “Jesus pagou na cruz e no inferno. […] Deus se levantou do seu trono e disse aos poderes demoníacos que atormentavam o Filho de Deus sem pecado: ‘Soltem-no’. Então o poder da ressurreição do Deus Todo-Poderoso atravessou o inferno e encheu Jesus. […] Ele foi ressuscitado dos mortos: o primeiro homem nascido de novo” (p. 35-36, tradução minha). E não era um detalhe para ela. No mesmo livreto, Meyer escreveu que ninguém vai para o céu “a menos que acredite de todo o coração que Jesus tomou o seu lugar no inferno” (p. 37). Para ser justo: anos depois, numa entrevista à revista Charisma (1998), Meyer negou ter ensinado que Cristo nasceu de novo no inferno. Mas a edição de 1996 do livreto manteve a ideia de que Jesus “foi para o inferno em meu lugar”, e, segundo o Christian Research Institute, ela nunca se retratou publicamente desses ensinos.

Enfim, como você pôde perceber, essas três versões não cabem juntas. Na primeira, Jesus visita um lugar de descanso; na segunda, invade o quartel-general do diabo; na terceira, é torturado por demônios. Um texto publicado no site do próprio CACP, que defende a primeira, chama a terceira de “pura heresia”. Então, quando alguém diz “Jesus desceu ao inferno”, a primeira pergunta honesta é: qual inferno? E para fazer o quê?

Penso que as três não se sustentam, e cada uma por um motivo diferente.

De onde veio a frase

Primeiro, um pouco de história, porque a maioria das pessoas encontrou essa ideia não na Bíblia, mas no Credo Apostólico. Na missa e no terço, milhões de católicos rezam que Jesus “padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos”. Igrejas protestantes históricas recitam o mesmo Credo; a Igreja Evangélica Luterana do Brasil, por exemplo, diz que Jesus “desceu ao mundo dos mortos”.

O que pouca gente sabe é que essa frase não fazia parte das formas mais antigas do Credo. Por volta do ano 400 d.C., Rufino de Aquileia, que acreditava na descida de Cristo, comentou o credo da sua igreja e observou uma coisa curiosa: a cláusula “desceu ao inferno” não constava do credo da Igreja de Roma nem do das igrejas orientais, e o sentido dela parecia já estar implícito na expressão “foi sepultado” (Comentário sobre o Credo dos Apóstolos, § 18). A forma que conhecemos hoje só se fixou no Ocidente séculos depois. Em 1991, Wayne Grudem, cuja Teologia Sistemática é muito usada aqui no Brasil, publicou um artigo com um título que já diz tudo: “Ele não desceu ao inferno: um apelo para seguirmos as Escrituras em vez do Credo dos Apóstolos” (Journal of the Evangelical Theological Society 34/1).

Isso não quer dizer que a ideia de uma descida seja tardia. O próprio Martinez lembra que ela aparece em autores cristãos antigos: Melito de Sardes, no século II, Tertuliano, Hipólito, Orígenes e, mais tarde, Ambrósio de Milão. A crença na descida é antiga; a cláusula no Credo é que é tardia. Mas antiguidade não é o mesmo que ensino apostólico. Boa parte desses autores já pensava a alma como algo que sobrevive consciente ao corpo, e a pergunta “onde estava a alma de Jesus?” nasce justamente dessa premissa. O critério, para eles e para nós, continua sendo o texto bíblico.

Há outro detalhe revelador. O latim do Credo diz descendit ad inferos, “desceu aos de baixo”, aos lugares inferiores, e não ao fogo do juízo. A tradução católica brasileira preferiu “mansão dos mortos”, e o próprio Catecismo da Igreja Católica (§ 633) faz questão de esclarecer que Jesus não desceu para libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação. Até os guardiões oficiais do Credo admitem, portanto, que a frase não fala do inferno em que o povo pensa.

Isso nos leva a uma questão de vocabulário que decide quase tudo neste debate.

Sheol, Hades e Geena

No Antigo Testamento, o lugar para onde vão todos os mortos, justos e ímpios, chama-se sheol. No Novo Testamento, a palavra grega equivalente é hades. As nossas Bíblias traduzem esses termos de maneiras variadas (“sepultura”, “morte”, “além”, “abismo”, “inferno”), e aí começa a confusão, porque o leitor vê “inferno” e já imagina labaredas de fogo.

Para o fogo do juízo final, a Bíblia usa outra palavra, geena, ou fala do “lago de fogo” do Apocalipse. E o Apocalipse mostra que as duas coisas são distintas: “Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo” (Apocalipse 20:14). O “inferno” desse versículo é o hades, e ele é jogado no lago de fogo. Ninguém joga uma fogueira dentro de outra fogueira! O Hades é o domínio da morte, e por isso aparece colado nela o tempo todo: “tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:18); um cavaleiro chamado Morte, “e o Inferno o estava seguindo” (Apocalipse 6:8); “a morte e o além entregaram os mortos que neles havia” (Apocalipse 20:13).

E como é esse lugar? O sábio nos dá a resposta: “no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Eclesiastes 9:10). No hebraico, a palavra que traduzimos por “além” é sheol.

Pois bem, acredito que a pergunta que está por trás de toda esta discussão seja: o que acontece com uma pessoa quando ela morre? Se a alma sobrevive ao corpo, consciente e ativa, então faz todo sentido perguntar onde a alma de Jesus esteve naqueles três dias, e as teorias da descida são tentativas de responder. Mas a Bíblia fala da morte de outro jeito. Jesus disse aos discípulos: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo”. Como os discípulos não entenderam, Jesus explicou: “Lázaro morreu” (João 11:11, 14). A morte, nas Escrituras, é comparada a um sono do qual só a ressurreição nos desperta. Tratei disso em detalhe em outro artigo, A imortalidade da alma: crença pagã?, e não vou repetir o argumento aqui. Mas quero que o leitor saiba de onde parto, porque isso muda a pergunta. Se a morte é como um sono, a questão “onde estava a alma de Jesus?” perde o objeto. Ele estava morto.

Dito isso, as três versões da descida podem ser examinadas nos seus próprios termos. Mesmo quem crê na imortalidade da alma encontrará, penso eu, boas razões para rejeitá-las.

Primeira pergunta: faltou alguma coisa na cruz?

Comecemos pela versão mais grave, a da Palavra da Fé, porque ela toca no coração do evangelho. Imagine que você terminou de pagar o financiamento da sua casa. O banco finalmente entrega a você a carta de quitação e dá baixa na dívida. Você recebe a escritura. Alguns dias depois, chega uma carta de outro setor do mesmo banco dizendo que ainda falta uma parcela, e que ela será cobrada de um jeito muito pior. O que você pensaria depois disso? Você ainda acreditaria que a dívida foi quitada?

É isso que a ideia de um Jesus que “pagou na cruz e no inferno” faz com o Calvário. E a Bíblia não deixa espaço para essa segunda cobrança.

Veja como João descreve o momento da morte: “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (João 19:30). Primeiro vem o “está consumado”, depois a morte. A obra termina na cruz, e só então Jesus morre. Lucas registra as últimas palavras de outro ângulo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lucas 23:46). Quem recebe o espírito de Jesus é o Pai, e não um bando de demônios para uma nova rodada de sofrimento.

Os mestres da Palavra da Fé conhecem esse versículo e têm resposta para ele. Kenneth Copeland escreveu que, quando Jesus exclamou “Está consumado!”, “não estava se referindo ao plano da redenção”, e que “a morte de Jesus na cruz foi apenas o começo da obra completa da redenção” (Believer’s Voice of Victory, abril de 1982, na transcrição do Christian Research Institute). O problema é que o próprio João fecha essa porta dois versículos antes: “vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!” (João 19:28). No grego, é o mesmo verbo do versículo 30. Não é uma etapa que se encerra; é tudo. E João registra isso antes da morte, em vez de três dias depois.

A carta aos Hebreus martela esse ponto com uma insistência quase obsessiva: “não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hebreus 9:12). “…agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (9:26). “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (10:14). E onde foi feita essa oferta? Pedro responde que Jesus levou “ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pedro 2:24). O lugar do pagamento está bem especificado: o corpo de Cristo, pregado no madeiro.

A vitória sobre os poderes das trevas também aconteceu no Calvário. Paulo diz que Deus cancelou o escrito de dívida que era contra nós, “encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Colossenses 2:14-15). Uma ressalva: no grego, a expressão final também pode ser lida como “triunfando deles nele“, isto é, em Cristo. Mas o contexto imediato é a dívida “encravada na cruz”, e nenhuma das duas leituras coloca o triunfo num segundo momento, debaixo da terra.

E os textos usados a favor?

Dois textos costumam aparecer em defesa da ideia de que Cristo sofreu uma “morte espiritual”, dentro e fora da Palavra da Fé. O primeiro é 2 Coríntios 5:21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós”. Daí se conclui que Jesus teria assumido a própria natureza de Satanás (é assim que o Christian Research Institute resume a doutrina) e precisaria “nascer de novo”. Mas o versículo não diz onde nem quando isso aconteceu, e Pedro já nos disse: no corpo, sobre o madeiro. Ser feito pecado por nós significa carregar a nossa culpa como substituto. Nada no texto sugere uma troca de natureza, o que seria muito estranho. Se Cristo tivesse mesmo assumido a natureza de Satanás, ele seria um pecador e, portanto, não poderia ser o nosso salvador.

O segundo é Isaías 53:9. Nas nossas Bíblias, o Servo esteve com o rico “na sua morte”, no singular, e as traduções estão certas. Mas, no hebraico, a palavra aparece na forma plural bemotav, que, ao pé da letra, significa “nas suas mortes”. É desse detalhe gramatical que se tira a ideia de que Jesus teria morrido duas vezes, fisicamente na cruz e espiritualmente no inferno. O argumento impressiona quem não conhece hebraico, mas desmorona quando vemos o mesmo fenômeno em outro lugar. Em Ezequiel 28:10, Deus diz ao governante de Tiro, chamado ali de “príncipe de Tiro” (28:2): “Da morte de incircuncisos morrerás”. No original, “morte” também está no plural: mortes de incircuncisos. E o príncipe de Tiro, até onde sabemos, só morreu uma vez! Os comentaristas clássicos Keil e Delitzsch chamam isso de plural de intensidade: “uma morte tão dolorosa que equivale a morrer muitas vezes”, e remetem justamente a Isaías 53:9. Ele não serve para contar quantas vezes alguém morreu.

Vimos, portanto, que a versão do Jesus torturado no inferno não tem apoio nas Escrituras e contradiz frontalmente o “está consumado”. Ela é, no entanto, a mais fácil de derrubar. As outras duas pedem mais cuidado.

Segunda pergunta: quem tinha as chaves?

Vamos à cena das chaves arrancadas das mãos do diabo. O texto por trás dessa suposta cena está em Apocalipse 1:17-18, onde Jesus aparece glorificado a João e diz: “Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.”

Perceba que em nenhum lugar o versículo diz que Jesus tomou as chaves de alguém. Diz que ele tem as chaves, e dá a razão logo antes: “estive morto, mas eis que estou vivo”. As chaves são consequência da ressurreição. Quem saiu vivo da morte tem autoridade sobre ela, do mesmo modo que o dono da casa não precisa arrombar a porta para entrar, pois ele tem a chave.

Mas ainda não acabou. Há um problema ainda maior com essa cena: ela coloca o diabo no lugar errado. A imagem de Satanás reinando no inferno, sentado num trono de fogo com um molho de chaves na cintura, deve mais à imaginação popular do que à Bíblia. Nem Dante, em A Divina Comédia — a meu ver, a obra mais folclórica sobre o estado dos mortos de acordo com a perspectiva bíblica —, sustenta essa ideia: no Inferno, Satanás está preso no gelo, no fundo do abismo. Quem lhe deu um trono foi a literatura posterior; Milton, por exemplo, em O Paraíso Perdido, põe Satanás “num trono de régia pompa” no inferno.

Em lugar nenhum as Escrituras apresentam o diabo como governante de um reino dos mortos. Pedro fala de anjos que pecaram e foram entregues “a abismos de trevas, reservando-os para juízo” (2 Pedro 2:4), mas isso descreve prisioneiros à espera de sentença, seres sem trono e sem chave. Quanto ao próprio diabo, depois da cruz Pedro avisa que ele “anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1 Pedro 5:8). O fogo eterno foi “preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41), como castigo. E no fim ele “foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 20:10). Longe de ser o carcereiro do inferno, o diabo será destruído no lago de fogo; é o verbo que Hebreus 2:14 usa, como veremos já.

Alguém pode objetar: “Mas a Bíblia não diz que o diabo tem o poder da morte?” Diz, sim. Vejamos o versículo inteiro: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo” (Hebreus 2:14). Note a expressão “por sua morte”. O golpe fatal contra Satanás foi a própria cruz, sem necessidade de nenhuma expedição ao mundo dos mortos.

Terceira pergunta: Jesus foi buscar os justos?

Chegamos à versão mais séria, com a qual abri este artigo. Jesus teria descido ao compartimento dos justos no Hades, o “seio de Abraão”, e, na ascensão, levado Abraão, Moisés, Davi e todos os fiéis do Antigo Testamento para o céu.

Será mesmo que essa interpretação procede? Vamos aos textos.

Quem são os cativos de Efésios 4?

O texto central está em Efésios 4:8-9: “Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido até às regiões inferiores da terra?”

Comecemos pelas “regiões inferiores da terra”. Muitos comentaristas, e o pastor John Piper entre eles, entendem a expressão como “as regiões de baixo, isto é, a terra”. Aquele que subiu ao céu seria o mesmo que antes havia descido do céu à terra, na encarnação. Essa leitura me parece a mais natural no contexto, mas o texto sozinho não fecha a questão. O que ele certamente não faz é mencionar o Hades, o seio de Abraão ou almas à espera.

E o “cativeiro” que Cristo levou consigo? Paulo está citando o Salmo 68:18: “Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes”. A imagem é a de um rei vitorioso que sobe ao seu monte depois da batalha, com um cortejo de cativos atrás de si. Os intérpretes se dividem sobre quem são esses cativos no uso de Paulo. Uns veem neles os poderes inimigos derrotados, como em Colossenses 2:15. Outros veem pessoas redimidas que o vencedor leva consigo como troféus da sua vitória.

Suponhamos a segunda leitura, que é a que favorece a versão do resgate. Quem seriam esses redimidos? O Novo Testamento mostra um único grupo de santos saindo da morte junto com a ressurreição de Cristo, e o texto está em Mateus 27:52-53: “abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.” Há intérpretes que identificam nesses ressuscitados os cativos que Cristo levou consigo na ascensão, como primícias da colheita final.

Agora repare em como Mateus os descreve. Não são almas deixando um compartimento do Hades. São corpos físicos saindo de sepulcros, de pessoas que “dormiam”. Se Cristo levou alguém consigo ao subir, levou gente ressuscitada, que tinha estado no túmulo. Ou seja: mesmo na leitura mais favorável a ela, a versão do resgate fica sem o seu ingrediente principal, o salão subterrâneo onde as almas dos justos esperavam.

Um indício no sermão de Pentecostes

Temos ainda outra evidência que pesa contra a ideia de que os justos do Antigo Testamento foram transferidos para o céu na ascensão.

Dez dias depois da ascensão, no Pentecostes, Pedro prega o primeiro sermão da igreja cristã. E fala do rei Davi, um dos maiores justos de Israel: “Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje” (Atos 2:29). E, cinco versículos depois: “Porque Davi não subiu aos céus” (Atos 2:34).

É verdade que, nesse versículo, Pedro está contrastando Davi com a subida corporal e a entronização de Cristo à direita de Deus. O defensor da descida pode dizer que é disso que se trata, e não do paradeiro da alma de Davi. É uma resposta razoável. Mas pense na situação. Segundo a versão do resgate, Davi tinha sido levado ao céu pelo próprio Cristo dez dias antes, numa das cenas mais gloriosas da história da redenção. E o apóstolo que viu a ascensão de Jesus, cheio do Espírito, resolve falar de Davi e diz apenas que ele morreu, foi sepultado num túmulo cujo local todos conheciam, e não subiu aos céus. Se a mudança tivesse acontecido, é justamente aí que esperaríamos ouvir falar dela. Um silêncio desses não demonstra nada sozinho, mas combina muito melhor com um Davi que aguarda a ressurreição do que com um Davi recém-chegado à glória.

O Hades de Jesus: a morte e a sepultura

Até aqui, vimos o que Jesus não fez. Mas a Bíblia diz positivamente onde ele esteve? Penso que sim, e a resposta mais clara está no mesmo sermão de Pedro, num texto que os próprios defensores da descida costumam citar a seu favor.

Pedro cita o Salmo 16 e o aplica a Jesus: “porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (Atos 2:27). No grego, o termo para “morte” é hades, e a Almeida Revista e Atualizada, a Bíblia que muitos de nós temos em casa, traduziu por “morte” mesmo.

Um leitor acostumado à ideia de alma imortal verá nesse versículo duas coisas diferentes: a alma de Jesus num lugar (o Hades), o corpo em outro (o túmulo, sem corrupção). A leitura é possível. Mas o versículo vem de um salmo hebraico, e em hebraico “minha alma” traduz nefesh, palavra que muitas vezes significa simplesmente “pessoa viva” ou “vida”. Quando Balaão diz “que eu morra a morte dos justos” (Números 23:10), o texto hebraico diz literalmente “que morra a minha nefesh“. A alma, ali, é a pessoa, e ela morre. Lido assim, o Salmo 16 diz a mesma coisa duas vezes, como a poesia hebraica gosta de fazer: “não me deixarás na morte” e “não permitirás que eu apodreça”.

E é assim que Pedro explica o salmo. Ele compara Jesus com Davi: Davi “morreu e foi sepultado, e o seu túmulo permanece entre nós até hoje” (Atos 2:29); Jesus, ao contrário, “nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção” (Atos 2:31). O contraste que ele traça é entre um túmulo ainda ocupado e um túmulo vazio. Em todo o sermão, não há uma palavra sobre pregação aos mortos ou resgate de almas. Não diria que isso encerra a discussão, mas é a leitura que melhor explica o argumento do próprio Pedro.

Além disso, o próprio Jesus descreveu esses três dias de antemão: “assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mateus 12:40). Nessa parte há um detalhe que eu acho maravilhoso: na oração que faz de dentro do peixe, Jonas diz: “do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz” (Jonas 2:2). A palavra hebraica traduzida por “abismo” é justamente sheol. Jonas descreve o que viveu (lançado no mar, afundando “no coração dos mares”, engolido) como estar no ventre do sheol. Ele nunca esteve num compartimento subterrâneo de almas. Esteve nas garras da morte, e Deus o tirou de lá. Esse é o sinal que Jesus escolheu para si.

Por fim, olhe para um dos resumos mais antigos do evangelho que temos, uma tradição que Paulo diz ter recebido e transmitido: “que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3-4). Entre a morte e a ressurreição, o apóstolo coloca uma única palavra: sepultado. Rufino, lembremos, achava que a descida já estava implícita no “foi sepultado”, embora acreditasse que ela significava mais do que isso. O resumo de Paulo sugere que a intuição de Rufino era melhor do que a conclusão que ele tirou dela.

E os textos difíceis?

Seria desonesto terminar sem enfrentar os textos que parecem dizer o contrário. Já tratei de alguns deles em detalhe aqui no site, então serei breve neste artigo.

1 Pedro 3:18-20: “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados […] morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé”. Este é o texto mais citado a favor da descida. Mas Pedro diz quando aquelas pessoas foram desobedientes: “nos dias de Noé”, enquanto a arca era preparada. A leitura que defendo é a de que Cristo, pelo Espírito, pregou por meio de Noé à geração do dilúvio, que naquele tempo estava viva e agora está “em prisão”, aguardando o juízo. Essa é também a leitura de John Piper e de Wayne Grudem. E a principal alternativa acadêmica, a de William Dalton, que vê nesses “espíritos” anjos caídos, entende que Cristo proclamou a eles sua vitória na ascensão, e não numa descida ao mundo dos mortos. Há, sim, uma leitura antiga, adotada pela Igreja Católica, que vê aqui a descida de Cristo ao mundo dos mortos. Mas repare em quem ouve a pregação: os “desobedientes” do tempo de Noé. Nem nessa leitura o texto fala de justos à espera de resgate no seio de Abraão.

1 Pedro 4:6: “pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus.” O verbo está no passado: o evangelho foi pregado a pessoas que o ouviram em vida e hoje estão mortas. Pedro estava consolando igrejas que viam seus irmãos morrerem. Eles ouviram o evangelho em vida e, embora tenham sofrido o julgamento dos homens e a morte, viverão para Deus. O versículo não diz uma palavra sobre Jesus pregando no Hades.

Lucas 23:43: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Quem entende que Jesus foi ao céu naquela sexta-feira precisa explicar por que, no domingo de manhã, ele disse a Maria: “ainda não subi para meu Pai” (João 20:17). Martinez tem uma resposta pronta: o paraíso ficava no Hades, e Jesus foi para lá, não para junto do Pai. (O Pr. Jairo, lembremos, põe o paraíso no terceiro céu; os próprios defensores da descida não concordam sobre onde ele fica.) Só que essa geografia não aparece com clareza em texto nenhum. A palavra “paraíso” surge apenas mais duas vezes no Novo Testamento, e as duas estão relacionadas com Deus: Paulo foi “arrebatado ao paraíso”, que ele chama de “terceiro céu” (2 Coríntios 12:2-4), e a árvore da vida está “no paraíso de Deus” (Apocalipse 2:7). Para salvar a versão de Martinez, é preciso supor que o paraíso ficava debaixo da terra e mudou de endereço na ascensão de Jesus.

Os defensores apontam dois textos para essa mudança. O primeiro é Efésios 4:8-10, que já examinamos e onde vimos que não há menção ao Hades, ao paraíso nem a alma alguma. O segundo é Apocalipse 6:9, onde João vê “debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus”. Mas repare na cena: essas almas clamam por vingança, recebem vestiduras brancas e ouvem que devem repousar “ainda por pouco tempo” (6:10-11). É uma visão simbólica, e o próprio Antigo Testamento dá a interpretação dela. No culto, o sangue do sacrifício era derramado “à base do altar” (Levítico 4:7), e, desde Abel, o sangue do inocente assassinado “clama da terra” a Deus (Gênesis 4:10). Os mártires sacrificados estão “debaixo do altar” do mesmo modo que o sangue de Abel clamava: como causa que espera justiça, não como moradores de um salão celeste transferido do Hades. Nenhum dos dois textos descreve a mudança de endereço que a teoria exige. Quanto à pontuação e ao sentido do “hoje” de Lucas 23:43, discuti a questão em outro artigo: Jesus, o ladrão e o paraíso

Por fim, temos a parábola do rico e Lázaro em Lucas 16:19-31. É exatamente daí que tiram a ideia dos “compartimentos”. Só que existe um problema sério nisso: usar essa parábola para construir a geografia do além é esticar a história até ela estourar, depois catar os pedaços e colá-los ao contrário. Pense comigo: faz sentido espíritos imateriais conversando à distância e pedindo água para molhar a ponta da língua? Acredito que não. Jesus estava usando uma linguagem ilustrativa para ensinar uma lição moral, não fazendo a cartografia do mundo dos mortos.

O inferno que Jesus de fato provou

No entanto, há sim um sentido em que Jesus provou o inferno. Não depois da morte, mas antes dela, na cruz. “Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46).

O juízo final contra o pecado é isso: ser separado de Deus, a fonte da vida, e entregue à morte, a segunda morte, da qual não há volta. Naquelas horas de escuridão, o Filho que sempre viveu em comunhão perfeita com o Pai experimentou esse abandono em nosso lugar. O profeta Isaías viu essa cena e a descreveu em Isaías 53:10: “ao Senhor agradou moê-lo […] quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado”. Calvino percebeu isso e interpretou a frase do Credo precisamente assim: a descida ao inferno foi o tormento que Cristo sofreu na cruz. Penso que ele errou em chamar isso de “descida”, porque a Bíblia não usa essa linguagem para a cruz. Mas acertou no essencial: o horror do juízo contra o pecado caiu sobre Jesus no Calvário, e em nenhum outro lugar.

Negar a descida, portanto, não diminui o sofrimento de Cristo. Apenas o coloca onde a Bíblia o coloca. E, ao fazer isso, protegemos o que há de mais precioso no evangelho: quando Jesus disse “está consumado”, estava consumado mesmo.

Onde Jesus estava, então?

Chegamos à pergunta que você talvez tenha feito desde o começo: se Jesus não foi ao inferno, nem ao seio de Abraão, nem lutar com o diabo, onde ele estava entre a sexta e o domingo?

Bem, a resposta de Lucas é quase desconcertante de tão simples. José de Arimateia tirou o corpo do madeiro, “envolveu-o num lençol de linho, e o depositou num túmulo aberto em rocha […]. Era o dia da preparação, e começava o sábado. As mulheres que tinham vindo da Galileia com Jesus, seguindo, viram o túmulo e como o corpo fora ali depositado. Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento” (Lucas 23:53-56).

Jesus estava morto, no túmulo. Isaías já tinha dito que ele “derramou a sua alma na morte” (Isaías 53:12). Como na criação, o sábado veio depois da obra terminada: Jesus repousou no túmulo depois de consumar a redenção. E, no primeiro dia da semana, ressuscitou como “as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20).

A essa altura alguém pode perguntar: “Mas Jesus é Deus. Por acaso Deus pode morrer?” Não, a divindade não morre. Porém, quem morreu foi o homem Cristo Jesus, verdadeira e completamente. Ele não fingiu morrer enquanto, por outra porta, continuava ativo em algum lugar. Morreu a nossa morte, por inteiro, e é por isso que a ressurreição é a vitória que é.

Por que isso importa?

Você pode estar pensando agora: “Tudo bem, mas isso faz diferença?”

Faz muita diferença, e por três razões. A primeira é que a versão da Palavra da Fé ataca a suficiência da cruz. Se Jesus precisou ser atormentado no inferno para completar o pagamento, então o “está consumado” era prematuro, e o sangue derramado no Calvário não bastou. E, se crer nisso fosse condição para ir ao céu, como escreveu Joyce Meyer, teríamos um evangelho em que o sacrifício de Cristo na cruz não é suficiente para nos salvar. Isso seria outro evangelho, seria uma grandiosa heresia.

A segunda razão é que todas as versões da descida, até as mais sóbrias, pressupõem que a alma de Jesus, e a de todos os mortos, seguiu consciente e ativa em algum lugar enquanto o corpo jazia no túmulo. Quando essa ideia toma conta, a esperança cristã vai mudando de endereço, sem que ninguém perceba: deixa de estar na ressurreição e passa a estar na alma que escapa do corpo. Paulo, porém, colocava todo o peso na ressurreição, a ponto de dizer que, “se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram” (1 Coríntios 15:17,18). Para ele, sem ressurreição não sobrava esperança nenhuma para os mortos.

A terceira ocorre pelo fato de a verdade ser mais bela do que a lenda. Na lenda, Jesus é um herói de ação que invade o território inimigo. Na Bíblia, Ele faz algo muito mais assombroso: permite-se morrer. Deita-se em nosso lugar, no silêncio do Sheol, onde “não há obra, nem projetos, nem conhecimento”. E depois sai de lá, porque a morte não pôde retê-lo.

Então, Jesus desceu ao inferno ou não? Ao fogo do juízo, não. Ao quartel-general do diabo, também não. A um salão de almas à espera de resgate, menos ainda. Mas, se por “inferno” entendermos o que a palavra hebraica significava, o domínio da morte, então sim: ele desceu até lá. Desceu do jeito que todos nós descemos, morrendo. A diferença é que saiu vivo, para sempre, pois Ele é “a ressurreição e a vida” (João 11:25).


Referências e fontes:

* Todas as páginas da internet abaixo foram consultadas em setembro de 2026.

As versões da descida, nas palavras de quem as defende
  • RODRIGUES, Jairo Teixeira. “Lição 01: E deu dons aos homens”. Comentário à Lição da Escola Bíblica Dominical (2º trimestre de 2021, tema “Dons espirituais e dons ministeriais”). Portal da Assembleia de Deus no Estado de Alagoas, 3 abr. 2021. Disponível em: https://adalagoas.com.br/ad-alagoas/licoes-biblicas/16326/licao-01-e-deu-dons-aos-homens.
  • MARTINEZ, João Flávio. “O que Jesus foi fazer no Hades?”. CACP, Ministério Apologético, 6 nov. 2018. Disponível em: https://www.cacp.app.br/o-que-jesus-foi-fazer-no-hades/.
  • MEYER, Joyce. The Most Important Decision You Will Ever Make: A Complete and Thorough Understanding of What It Means to Be Born Again. Tulsa: Harrison House, 1991, p. 35-37. Edição de 1996 (5ª impressão), p. 41-43. As citações foram traduzidas a partir das transcrições publicadas pelo Christian Research Institute (ver abaixo), que conferem entre si.
  • COPELAND, Kenneth. “Jesus: Our Lord of Glory”. Believer’s Voice of Victory, v. 10, n. 4, abr. 1982, p. 3. Citado a partir da transcrição do Christian Research Institute.
  • WALKER, Ken. Entrevista com Joyce e Dave Meyer. Charisma, nov. 1998. Citada pelo Christian Research Institute.
  • CHRISTIAN RESEARCH INSTITUTE. “The Teachings of Joyce Meyer” (declaração de c. 2000). Disponível em: https://www.equip.org/articles/the-teachings-of-joyce-meyer/. Fonte da transcrição do livreto (edições de 1991 e 1996), das palavras de Copeland e da menção à entrevista à Charisma.
  • HUNTER, Bob. “Joyce Meyer in the Twenty-first Century”. Christian Research Journal, v. 37, n. 2, 2014. Disponível em: https://www.equip.org/articles/joyce-meyer-in-the-twenty-first-century/. PDF: https://www.equip.org/PDF/JAF5372.pdf. Fonte da afirmação de que Meyer nunca se retratou publicamente dos ensinos da Palavra da Fé.
  • CACP. “Joyce Meyer: prestígio, luxo, fortuna e heresia”. Tradução e adaptação de Mary Schultze a partir de artigo de Carolyn Tuft e Bill Smith. CACP, Ministério Apologético. Disponível em: https://www.cacp.app.br/joyce-meyer-prestigio-luxo-fortuna-e-heresia/.
História do Credo
  • RUFINO DE AQUILEIA. Comentário sobre o Credo dos Apóstolos, § 18 (c. 400). Tradução inglesa em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2ª série, vol. 3.
  • GRUDEM, Wayne. “He Did Not Descend into Hell: A Plea for Following Scripture Instead of the Apostles’ Creed”. Journal of the Evangelical Theological Society, v. 34, n. 1, 1991.
  • Catecismo da Igreja Católica, § 631-637 (“Jesus Cristo desceu à mansão dos mortos”). Disponível no site do Vaticano, na página que reúne os §§ 422-682.
  • CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã, livro II, cap. 16, §§ 8-12, onde Calvino interpreta a descida ao inferno como o tormento sofrido por Cristo na cruz.
Intérpretes citados sobre os textos difíceis
  • PIPER, John. “Cristo desceu ao inferno?”. Desiring God (em português). Sobre Efésios 4:9 e 1 Pedro 3:18-20.
  • GRUDEM, Wayne. 1Pedro: introdução e comentário. Série Cultura Bíblica. São Paulo: Vida Nova. Na obra, Grudem defende que Cristo pregou por meio de Noé à geração do dilúvio.
  • DALTON, William J. Christ’s Proclamation to the Spirits: A Study of 1 Peter 3:18-4:6. 2. ed. Roma: Pontifício Instituto Bíblico, 1989 (Analecta Biblica, 23). Defende que os “espíritos em prisão” são anjos caídos e que a proclamação ocorreu na ascensão de Cristo.
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Graduando em História pela Universidade Estácio de Sá e estudioso de Teologia, defende a premissa de que o conhecimento se torna verdadeiramente valioso quando compartilhado. Junte-se a mim nessa jornada!

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