Seitas e Heresias

A Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma Seita?

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Chamar uma igreja de seita é uma acusação séria. Para muitos leitores, a palavra sugere uma comunidade que abandonou o evangelho, submete seus membros a uma autoridade humana e oferece uma salvação diferente daquela anunciada por Jesus e pelos apóstolos. Quando se aplica esse rótulo à Igreja Adventista do Sétimo Dia, portanto, é justo perguntar: quais de seus ensinamentos justificariam uma conclusão tão grave?

Como adventista, considero legítimo que se examinem nossas crenças. Quem afirma seguir a Bíblia deve aceitar que se confrontem suas interpretações com ela. Também deve estar disposto a reconhecer erros históricos, corrigir explicações deficientes e responder às objeções sem atribuir má-fé a quem discorda. A convicção religiosa traz essa responsabilidade.

O acusador, por sua vez, precisa demonstrar a sua tese. Guardar o sábado, interpretar determinadas profecias de maneira distinta ou reconhecer a continuidade dos dons espirituais não basta, por si só, para estabelecer que uma comunidade abandonou a fé cristã. É necessário mostrar o que ela ensina, qual verdade bíblica estaria negando e por que essa divergência justificaria excluí-la do cristianismo.

É por esse caminho que devemos examinar o adventismo: suas crenças públicas, seus argumentos e o lugar que Jesus Cristo ocupa em sua compreensão da salvação.

O que significam “seita” e “heresia”?”

A palavra “seita” não possui um único significado. Em determinadas classificações sociológicas, ela descreve um tipo de organização religiosa, sua origem e sua relação com a sociedade. Nesse contexto, o termo não estabelece se Deus aprova ou rejeita as crenças de um grupo.1 Já no uso apologético, frequentemente designa uma comunidade considerada incompatível com fundamentos da fé cristã. No uso popular, pode ainda sugerir coerção, exploração e isolamento.

Esses sentidos precisam ser distinguidos. A origem de um movimento não prova que sua doutrina seja falsa. Uma interpretação teológica equivocada também não demonstra, automaticamente, que seus membros estejam submetidos a manipulação psicológica.

“Heresia” também exige um critério. Se a palavra significar qualquer divergência em relação à confissão de uma igreja, cristãos de diferentes tradições poderão aplicá-la uns aos outros em numerosos assuntos. Para discutir se o adventismo deixou de ser cristão, porém, precisamos examinar acusações mais precisas: a negação da divindade de Cristo, de sua encarnação, de sua ressurreição ou da salvação que ele oferece, por exemplo.

Isso não torna as demais doutrinas irrelevantes. Significa que o peso de uma acusação precisa corresponder ao que o acusador efetivamente demonstrou. Discordar de uma interpretação e demonstrar a negação do evangelho são tarefas diferentes.

O Deus que adoramos e o Salvador em quem confiamos

A confissão oficial adventista afirma a existência de um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas coeternas. Afirma também que o Filho é eternamente Deus e que, na encarnação, se tornou verdadeiramente humano. Portanto, a igreja não apresenta Jesus como uma criatura elevada posteriormente à condição divina.2

Essa convicção se apoia em passagens como João 1:1–3,14. O Verbo já existia no princípio, era Deus e se fez carne. Todas as coisas vieram à existência por intermédio dele. E Colossenses 1:16–17 também coloca Cristo como aquele por meio de quem Deus criou todas as coisas e em quem todas elas subsistem. Aquele de quem depende a criação não pode ser simplesmente mais um de seus integrantes.

As crenças adventistas afirmam ainda a morte de Jesus por nossos pecados, seu sacrifício em nosso lugar, sua ressurreição corporal e seu retorno em glória. A Bíblia é reconhecida como a autoridade suprema para avaliar o ensino e a experiência religiosa.3 Essas afirmações correspondem a elementos centrais da proclamação apostólica, como se observa em 1 Coríntios 15:3–4 e 1 Tessalonicenses 4:16–17.

Reconheço que importantes pioneiros adventistas sustentaram posições antitrinitárias, e alguns defenderam concepções sobre o Filho incompatíveis com o que a igreja confessa hoje. Estudos do próprio Instituto de Pesquisa Bíblica adventista documentam esse desenvolvimento.4 No entanto, essas posições fazem parte da história do movimento e não representam sua doutrina atual. Podemos reconhecer a contribuição dos pioneiros sem assumir que estavam certos em tudo. Também devemos examinar suas interpretações, como as de qualquer outro cristão, à luz das Escrituras.

Se alguém acusa a Igreja Adventista atual de negar a divindade eterna de Jesus ou sua ressurreição, deve explicar como essa acusação se concilia com suas declarações públicas. Se a objeção for que outra doutrina adventista contradiz tais declarações, essa possível contradição deverá ser discutida. A existência de uma confissão cristã não dispensa o exame de sua coerência; ela estabelece o que a igreja afirma e impede que a crítica se apoie em uma descrição falsa.

A distinção entre reconhecer a identidade cristã de uma igreja e concordar com todas as suas doutrinas também aparece em avaliações protestantes do adventismo. Em uma análise publicada na revista Christianity Today, em 1990, Kenneth Samples registra que Walter Martin e Donald Grey Barnhouse, após estudarem as crenças adventistas e dialogarem com seus representantes, reconheceram o movimento como uma denominação cristã, embora discordassem de alguns de seus ensinamentos.5

Uma declaração do Christian Research Institute, publicada em 2009, também rejeita classificar o adventismo como uma seita não cristã, considerando sua aceitação de fundamentos como a Trindade, a divindade de Cristo e sua ressurreição corporal. O mesmo documento, contudo, critica severamente o juízo investigativo e determinadas compreensões da autoridade de Ellen White, além de considerar certas vertentes adventistas sectárias. Obviamente, seria incorreto apresentá-lo como uma aprovação integral de nossa teologia.6

O valor desses testemunhos está em mostrar que a exclusão do adventismo da fé cristã não é uma conclusão unânime entre seus próprios críticos protestantes. Eles não substituem a defesa bíblica de nossas crenças nem resolvem as objeções que levantam. Devemos responder a essas objeções pelo exame das Escrituras, o mesmo critério ao qual submetemos nossa própria compreensão da fé.

Ellen White e a autoridade da Bíblia

O lugar de Ellen G. White está entre as objeções mais frequentes ao adventismo. Convém, por isso, descrevê-lo com precisão. A igreja reconhece em seu ministério uma manifestação do dom de profecia e atribui autoridade profética a seus escritos. A mesma crença fundamental estabelece que a Bíblia é o padrão pelo qual todo ensino e experiência devem ser avaliados.7

Seria inadequado apresentar Ellen White como uma escritora que apenas deixou conselhos interessantes. Sua importância religiosa no adventismo é maior do que isso. A questão é determinar como essa autoridade se relaciona com a autoridade das Escrituras.

Uma declaração explicativa do Instituto de Pesquisa Bíblica, publicada em sua forma revista em 1982, afirma que seus escritos não acrescentam livros ao cânon, não constituem o fundamento e a autoridade final da fé e não devem ser usados para substituir o estudo bíblico. O documento também rejeita a ideia de que a Bíblia só possa ser compreendida por meio deles. Trata-se de uma explicação do instituto, não de uma crença fundamental votada pela igreja mundial.8 Além disso, a própria Ellen White afirma: “Recomendo-vos, caro leitor, a Palavra de Deus como regra de vossa fé e prática. […] O Senhor deseja que estudeis a Bíblia. Ele não deu alguma luz adicional para tomar o lugar de Sua Palavra” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 31).

A distinção entre dom profético e cânon bíblico possui fundamento nas próprias Escrituras. Atos 21:9 menciona as quatro filhas de Filipe, que profetizavam; os versículos seguintes apresentam o profeta Ágabo. Nem todos os que exerceram esse dom foram autores de livros incorporados à Bíblia. A existência de um profeta, portanto, não implica necessariamente a produção de uma nova coleção de Escrituras.

Nós adventistas entendemos que a continuidade desse dom é compatível com a vida da igreja. Paulo orienta os cristãos a não desprezarem as profecias, a examinarem todas as coisas e a conservarem o que é bom (1 Tessalonicenses 5:19–21). Em 1 Coríntios 14:29, também determina que as manifestações proféticas sejam avaliadas.

Tais passagens sustentam a necessidade de discernimento, sem contudo provar, por si mesmas, a autenticidade de quem quer que reivindique inspiração, inclusive Ellen White. Essa reivindicação precisa ser testada à luz das Escrituras, e não passivamente aceita por autoridade institucional.

Por isso, uma defesa adventista de qualquer doutrina deve apresentar razões bíblicas que o leitor possa acompanhar e avaliar. Os escritos de Ellen White exerceram influência real na compreensão e na vida da igreja. Entretanto, essa influência não autoriza colocá-los acima do texto bíblico nem utilizá-los para impedir seu exame. Quando um adventista procede dessa maneira, sua prática precisa ser confrontada com o padrão que a própria igreja declara reconhecer.

Somos salvos pela graça ou pela guarda dos mandamentos?

A acusação de salvação pelas obras deve ser confrontada com o ensino oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, que organiza suas 28 crenças fundamentais em seis grandes categorias doutrinárias. A crença nº 10, sobre a experiência da salvação, afirma que somos justificados pela fé em Cristo Jesus e transformados pelo Espírito Santo. A crença nº 19, sobre a lei de Deus, apresenta a obediência como fruto da salvação recebida pela graça.9

Essa relação aparece em Efésios 2:8–10. Paulo ensina que a salvação é dom de Deus e exclui as obras como motivo de vanglória. Logo depois, afirma que fomos criados em Cristo para as boas obras. A graça que perdoa também inaugura uma vida transformada. O pecador não oferece essa transformação como pagamento pelo perdão.

O legalismo surge quando a obediência é convertida em fundamento de nossa aceitação por Deus, como se o mérito de Cristo precisasse ser completado pelo nosso desempenho. Isso pode acontecer com a guarda do sábado, com o dízimo, com o jejum, com a frequência aos cultos ou com qualquer outra prática religiosa. O problema está na confiança depositada nessas obras.

Por essa razão, guardar o sábado não demonstra, por si só, legalismo. O adventista o observa porque entende que Deus santificou o sétimo dia na criação e o incluiu no Decálogo (Gênesis 2:2–3; Êxodo 20:8–11). Seu desejo de obedecer nasce dessa compreensão das Escrituras. A guarda do dia não pode comprar aquilo que somente Cristo oferece.

Permanece uma discussão legítima sobre a continuidade do mandamento. Afinal, devemos guardar o sábado ou o domingo? Textos como Colossenses 2:16–17, Romanos 14:5–6 e Gálatas 4:9–11 precisam ser considerados com seriedade. A presença da palavra “sábados” em Colossenses, por exemplo, impede que a objeção seja descartada sem examinar o contexto e a relação entre o calendário religioso, as sombras e a realidade em Cristo. Já Romanos 14 exige atenção à natureza das práticas sobre as quais Paulo admite diferenças; Gálatas exige atenção ao sistema religioso ao qual seus leitores corriam o risco de se submeter.

Essas questões pertencem à interpretação bíblica da lei e da nova aliança. Quem discorda da leitura adventista deve demonstrar onde ela falha. Para sustentar a acusação de salvação pelas obras, contudo, é preciso provar que a igreja atribui à observância da lei o poder de justificar o pecador. Os críticos falham nesse ponto pela simples razão de que essa acusação não corresponde ao ensino oficial da denominação, que apresenta a salvação como dom da graça de Deus em Cristo e a obediência como seu fruto.

Se alguma pregação adventista levar alguém a confiar em sua própria justiça, o pregador estará errado, contrariando tanto o que a Bíblia ensina quanto o que a Igreja Adventista do Sétimo Dia defende.

O santuário celestial diminui o valor da cruz?

A doutrina do santuário merece atenção especial porque envolve uma preocupação legítima: a suficiência do sacrifício de Jesus. Se fosse necessário outro sacrifício para corrigir uma deficiência da cruz, a objeção atingiria o centro do evangelho.

Hebreus, porém, apresenta o sacrifício consumado e o ministério celestial de Cristo como realidades que coexistem. Jesus ofereceu a si mesmo uma vez por todas (Hebreus 7:27; 9:26–28; 10:10–14) e vive para interceder pelos que se aproximam de Deus por seu intermédio (Hebreus 7:25). Sua presença diante do Pai em nosso favor também é afirmada em Hebreus 9:24.

A intercessão de Cristo no santuário celestial nada tem a ver com uma repetição ou invalidação do Calvário. Dizer, como alegam os críticos, que a necessidade do ministério celestial anularia a suficiência da cruz revela um equívoco conceitual. O Salvador ressuscitado ministra em favor daqueles pelos quais entregou a própria vida na cruz; trata-se de realidades diferentes. A eficácia permanente de seu sacrifício fundamenta a confiança com que nos aproximamos de Deus.

A crença fundamental nº 24 afirma que Cristo torna acessíveis aos crentes os benefícios do sacrifício expiatório oferecido uma vez por todas na cruz. Ela também ensina que, em 1844, teve início uma fase de juízo investigativo em seu ministério celestial. Segundo essa compreensão, o juízo manifesta quem permanece em Cristo e evidencia a justiça de Deus ao salvar os que creem em Jesus.10

Esses dois aspectos devem ser distinguidos. A intercessão celestial está expressamente descrita em Hebreus. A identificação de uma fase específica em 1844 decorre de uma interpretação profética que relaciona Daniel 7, 8 e 9, o período das duas mil e trezentas tardes e manhãs e a tipologia do santuário. Sua demonstração exige explicar essas relações e responder às leituras alternativas. Citar Hebreus, isoladamente, não resolve toda a discussão sobre a data.

Isso também permite avaliar a acusação com mais precisão. Questionar a interpretação adventista dos períodos proféticos é uma objeção distinta de afirmar que os adventistas negam a suficiência do sacrifício de Cristo. Para estabelecer essa segunda acusação, seria necessário demonstrar uma incompatibilidade que a mera existência de um ministério posterior à cruz não estabelece: o próprio livro de Hebreus ensina esse ministério.

Também não há contradição necessária entre justificação pela fé e juízo. Paulo anuncia a justificação em Romanos 3:21–28 e declara, em 2 Coríntios 5:10, que compareceremos perante o tribunal de Cristo. A relação entre fé, vida e julgamento precisa ser compreendida a partir do conjunto desses ensinamentos. As obras revelam a realidade de uma vida; não se tornam, por isso, um sacrifício capaz de expiar o pecado.

Nossa segurança depende do Salvador que morreu e ressuscitou por nós. Romanos 8:33–34 reúne justamente a justificação concedida por Deus, a morte de Jesus, sua ressurreição e sua intercessão. Uma explicação do santuário que faça o crente procurar em seu próprio desempenho um substituto para essa confiança precisa ser corrigida.

Crer no remanescente significa considerar todos os demais perdidos?

A Igreja Adventista compreende que recebeu uma missão particular de anunciar o evangelho no contexto das mensagens angélicas de Apocalipse 14. Essa convicção é parte de sua identidade e não deve ser escondida para tornar sua apresentação mais aceitável.

A própria crença fundamental sobre o remanescente, entretanto, reconhece que a igreja universal é composta por todos os que verdadeiramente creem em Cristo. Esse reconhecimento aparece no mesmo documento que descreve a missão particular do remanescente.11

Consequentemente, a autocompreensão adventista não autoriza concluir que toda pessoa de outra denominação esteja perdida, tampouco permite supor que a filiação institucional assegure a salvação. O registro de membro não substitui o arrependimento nem a fé pessoal. Afinal, a salvação decorre unicamente da graça de Deus em Cristo, como já dito, e não do pertencimento a uma estrutura denominacional.

Apocalipse 18:4 oferece uma observação relevante: ao chamar seu povo para sair de Babilônia, Deus reconhece como seu um povo que ainda está ali. Na leitura adventista, o chamado à saída é compatível com o reconhecimento de pessoas que pertencem a Deus fora de suas próprias comunidades.

Podemos, portanto, sustentar convicções sobre a verdade, discordar de ensinamentos e convidar outras pessoas a reconsiderá-los sem presumir que conhecemos o destino eterno de cada uma. A responsabilidade de testemunhar não concede domínio sobre a consciência alheia.

E a crença de que os mortos aguardam a ressurreição?

A compreensão adventista da morte também costuma aparecer nessas controvérsias. A igreja ensina que os mortos permanecem inconscientes até a ressurreição e que a vida eterna é um dom de Deus.12 Essa leitura encontra expressivo respaldo bíblico: apoia-se, entre outras passagens, na descrição da morte de Lázaro como se fosse um sono (João 11:11–14), no anúncio da ressurreição dos mortos em Cristo por ocasião da sua segunda vinda (1 Tessalonicenses 4:13–17) e na afirmação de que o mortal será revestido de imortalidade, evento que também ocorrerá somente no regresso de Cristo (1 Coríntios 15:51–54).

Compreendo que outros cristãos interpretam essas passagens de modo diferente e recorrem a textos como Filipenses 1:23 e Lucas 23:43 em defesa de um estado consciente após a morte. Essa discussão exige examinar linguagem, contexto e a relação entre as passagens. Não será resolvida atribuindo aos interlocutores ignorância ou desonestidade.

O ponto que precisa ficar claro é que a posição adventista afirma a vitória de Cristo sobre a morte, a ressurreição e a vida eterna. A controvérsia diz respeito à condição humana entre a morte e a ressurreição. Para transformar essa divergência em uma acusação de abandono do evangelho, é necessário apresentar um argumento adicional, capaz de demonstrar essa consequência.

Autoridade religiosa e liberdade de consciência

Se a palavra “seita” estiver sendo empregada para acusar a igreja de coerção e controle, a discussão deverá considerar práticas concretas, além de doutrinas.

A organização adventista possui uma estrutura representativa, com diferentes níveis administrativos e participação de representantes nas decisões. Sua autoridade institucional não é descrita como o poder pessoal irrestrito de um único dirigente.13 Além disso, a declaração oficial sobre liberdade religiosa reconhece o direito de mudar de religião e de defender a liberdade daqueles com quem a igreja discorda.14

Esses compromissos são relevantes, mas não constituem uma garantia de que nunca ocorram abusos em comunidades adventistas. Nenhuma descrição institucional substitui o exame do modo como pessoas reais são tratadas. Humilhação, manipulação do medo, exploração e coerção devem ser identificadas e enfrentadas onde quer que ocorram.

Como adventista, não preciso negar essa possibilidade para defender minha fé. Preciso exigir que nossa conduta seja coerente com aquilo que professamos. Em 1 Pedro 5:2–3, a liderança cristã é chamada a cuidar do rebanho e a servi-lo pelo exemplo. A autoridade religiosa não concede licença para dominar a vida dos outros.

Uma acusação de abuso merece apuração. Uma conclusão sobre toda a denominação exige evidências que sustentem esse alcance. A responsabilidade cristã inclui tanto ouvir quem sofreu quanto evitar generalizações que ultrapassem os fatos.

Uma defesa que aceite o exame das Escrituras

Assim, não precisamos atribuir intenções ocultas aos críticos nem apresentar nossa história como se nunca tivesse havido erros. Também não precisamos sustentar que todas as diferenças doutrinárias tenham a mesma importância. A defesa do adventismo pode ser feita com convicção e com responsabilidade diante dos fatos.

Nossas declarações oficiais confessam o Deus trino, a divindade eterna e a humanidade de Jesus, sua morte por nossos pecados, sua ressurreição e a salvação concedida pela graça. Nossas doutrinas distintivas devem ser examinadas considerando essa confissão e os argumentos bíblicos apresentados em sua defesa. Afirmar que uma delas a contradiz exigiria demonstrar a contradição.

É nesse sentido teológico e pejorativo, que pressupõe o abandono dos fundamentos cristãos, que rejeito a classificação da Igreja Adventista como seita. Ser adventista, por si só, tampouco torna alguém herege. O rótulo não pode ocupar o lugar da demonstração de um ensino contrário ao evangelho.

Isso não exige que o leitor concorde antecipadamente com todas as nossas interpretações. Exige que a avaliação seja proporcional às evidências. Cabe ao adventista explicar o que crê e por que crê; cabe a quem o acusa representar fielmente essa crença e mostrar onde estaria o erro.

Minha confiança está em Jesus Cristo, e é diante de sua Palavra que a igreja também deve se colocar. Por isso, posso defender o adventismo sem transformar a instituição em uma autoridade infalível. A fidelidade que devemos ao Senhor inclui a disposição de ouvir uma objeção verdadeira, corrigir uma prática errada e continuar examinando as Escrituras.


Referências

As referências institucionais documentam o que a igreja declara ensinar; os argumentos bíblicos devem ser avaliados diretamente nas passagens indicadas.

1 Como exemplo de classificação sociológica, o manual Introduction to Sociology 3e, da OpenStax, iniciativa educacional da Rice University, inclui os adventistas do sétimo dia entre as denominações cristãs. A referência é usada exclusivamente para esclarecer o vocabulário sociológico, sem atribuir ao manual autoridade teológica protestante. Ver seção 15.2, “World Religions”, tópico “Types of Religious Organizations”. Consultar.

2 Igreja Adventista do Sétimo Dia. Crenças fundamentais nº 2 e 4. A Trindade e Deus, o Filho.

3 Igreja Adventista do Sétimo Dia. Fundamental Beliefs, especialmente crenças nº 1, 4 e 9. Consultar as declarações oficiais.

4 Gerhard Pfandl. “The Doctrine of the Trinity Among Adventists”. Biblical Research Institute. Consultar.

5 Kenneth R. Samples. “The Recent Truth about Seventh-Day Adventism”. Christianity Today, 5 de fevereiro de 1990. O artigo relata a avaliação de Martin e Barnhouse e apresenta críticas e distinções entre correntes adventistas. Não constitui uma aprovação irrestrita do adventismo. Consultar.

6 Christian Research Institute. “Seventh Day Adventism”, declaração institucional, identificador DS410, publicada no site em 10 de junho de 2009. A posição favorável ao reconhecimento da identidade cristã é acompanhada de críticas doutrinárias explícitas. Consultar.

7 Igreja Adventista do Sétimo Dia. Crença fundamental nº 18, “The Gift of Prophecy”. Consultar.

8 Biblical Research Institute. “The Inspiration and Authority of the Ellen G. White Writings: Ten Affirmations and Ten Denials”. Versão publicada na Adventist Review, 23 de dezembro de 1982, e em Ministry, fevereiro de 1983. O próprio documento esclarece que não é uma declaração votada. Texto preservado pelo Ellen G. White Estate.

9 Igreja Adventista do Sétimo Dia. Crenças fundamentais nº 10 e 19. A experiência da salvação e A lei de Deus.

10 Igreja Adventista do Sétimo Dia. Crença fundamental nº 24, “Christ’s Ministry in the Heavenly Sanctuary”. Consultar.

11 Igreja Adventista do Sétimo Dia. Crença fundamental nº 13, “The Remnant and Its Mission”. Consultar.

12 Igreja Adventista do Sétimo Dia. Crença fundamental nº 26, “Death and Resurrection”. Consultar.

13 Igreja Adventista do Sétimo Dia. “Structure”. Consultar a descrição da organização representativa.

14 Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. “Religious Freedom”, declaração de 29 de junho de 1995. Consultar.


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Graduando em História pela Universidade Estácio de Sá e estudioso de Teologia, defende a premissa de que o conhecimento se torna verdadeiramente valioso quando compartilhado. Junte-se a mim nessa jornada!

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