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Lei e Graça

O que foi abolido na cruz?

o que foi abolido na cruz
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“Jesus aboliu a lei na cruz.”

Você provavelmente já ouviu essa frase, talvez mais de uma vez. Ela aparece em sermões, podcasts, vídeos, debates nas redes sociais e conversas entre cristãos depois do culto. E quase sempre, quando contestamos a ideia de que a lei foi abolida, as perguntas vêm em sequência, como se fossem suficientes para encerrar a discussão: “Se Cristo cumpriu a lei, por que vocês, adventistas, ainda guardam o sábado?”; “Se a lei não foi abolida, por que nenhum cristão continua oferecendo sacrifícios de animais?”; “Então, para serem coerentes, vocês também deveriam praticar a circuncisão, mas isso ninguém quer, não é?”

As perguntas são legítimas. Na verdade, são melhores do que certas respostas apressadas. Afinal, os cristãos realmente não oferecem mais cordeiros, e o Novo Testamento realmente ensina que estamos na nova aliança, debaixo da graça e não da lei. O raciocínio parece, então, bastante simples: Cristo cumpriu a lei, cancelou-a na cruz e libertou o cristão da obrigação de observá-la.

É nesse ponto que quase inevitavelmente aparece Colossenses 2:14. Paulo afirma que algo foi apagado, retirado do caminho e cravado na cruz. Para muita gente, o versículo funciona como um ponto final. A lei foi levada ao Calvário; portanto, a discussão terminou. Só que não terminou.

A frase “a lei foi abolida na cruz” não aparece em Colossenses. Ela é uma interpretação do versículo, não uma citação dele. Isso, por si só, não prova que a interpretação esteja errada. Pode ser que Paulo realmente estivesse falando da lei. Porém, se essa é a conclusão, ela precisa surgir do texto, e não ser colocada dentro dele antes que o examinemos.

Por isso, a pergunta decisiva não é se alguma coisa foi cravada na cruz, pois Paulo afirma isso claramente que foi, e não há razão para negá-lo. A pergunta que precisa ser respondida é mais simples e, ao mesmo tempo, mais difícil: o que, exatamente, foi cravado?

A questão não é a distinção, mas o critério

Mas antes, considere, por um momento, algumas questões bastante simples. Se toda a lei foi abolida na cruz, o falso testemunho deixou de ser pecado quando Cristo morreu? A idolatria foi liberada junto com ela? Um cristão pode agora cobiçar a mulher do próximo com a consciência tranquila, uma vez que o décimo mandamento teria sido abolido com os outros nove?

É claro que não. A pessoa a quem você fizer essas perguntas talvez até estranhe ou se sinta ofendida. Nenhum cristão acredita que a morte de Cristo tenha transformado a mentira, a idolatria ou a cobiça em práticas aceitáveis. Mas observe o que acontece no momento em que ela responde: sem perceber, distingue dentro da lei aquilo que passou daquilo que continua válido.

Os sacrifícios cessaram, mas o “não matarás” permanece. A circuncisão deixou de ser exigida, mas ninguém conclui que o “não furtarás” tenha perdido sua força. Na prática, nenhuma tradição cristã ensina que tudo o que se encontrava na lei desapareceu indistintamente na cruz. Ninguém continua oferecendo animais sobre um altar; ao mesmo tempo, ninguém considera que a mentira, o adultério ou a idolatria tenham sido liberados.

Portanto, alguma distinção está sendo feita. A pessoa pode não empregar as expressões “lei moral” e “lei cerimonial”; pode até rejeitar essa terminologia por considerá-la uma construção adventista. Mas, no instante em que reconhece que os sacrifícios passaram e que a proibição do assassinato permanece, a distinção já está presente, ainda que não tenha recebido um nome. E isso muda o debate. A discussão nunca foi realmente entre quem distingue partes da lei e quem se recusa a fazê-lo, porque ambos os lados reconhecem que certos preceitos chegaram ao fim, enquanto outros continuam expressando a vontade de Deus.

Nós, adventistas, costumamos ser acusados de escolher arbitrariamente o que desejamos guardar: conservamos o sábado, dizem, mas abandonamos os sacrifícios e a circuncisão. A objeção parece forte até que se perceba que o crítico também preserva alguns mandamentos e considera outros cumpridos. Ele igualmente precisa explicar por que o “não adulterarás” continua válido, enquanto as ofertas de animais deixaram de ser exigidas; por que a idolatria ainda é pecado, mas a circuncisão já não é uma obrigação cristã.

A pergunta decisiva, então, não é se alguma distinção deve ser feita. Na prática, quase todos já a fazem. A pergunta é outra: com base em quê? Que critério o próprio texto bíblico nos oferece para determinar o que encontrou seu cumprimento na cruz e o que continua válido?

“A Bíblia faz divisão entre lei moral, cerimonial e civil?”

Pois bem, alguém poderia responder que até aqui deixamos passar justamente o ponto mais importante. É verdade que todo cristão reconhece que algumas exigências da lei permaneceram enquanto outras chegaram ao fim. Entretanto, quem disse que a Bíblia autoriza a divisão tradicional entre lei moral, cerimonial e civil? Onde, exatamente, encontramos essas três categorias formuladas na Escritura?

Essa é uma pergunta séria. E a melhor versão dela você não vai encontrar em vídeos polêmicos no YouTube ou em comentários apressados nas redes sociais. A melhor versão vem de estudiosos como Thomas Schreiner, professor de Novo Testamento no Southern Baptist Theological Seminary, que dedicou um livro inteiro ao assunto, 40 Questions About Christians and Biblical Law.

O argumento pode ser resumido da seguinte maneira: A Bíblia nunca apresenta a lei mosaica dividida formalmente em três partes — moral, cerimonial e civil. Os judeus do primeiro século não parecem ter pensado na Torá dessa maneira. Para eles, a lei formava um conjunto, um tecido único. Tiago parece confirmar isso quando escreve que “qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tiago 2:10).

Segundo essa objeção, a classificação que hoje é tão natural para muitos cristãos surgiu bem mais tarde. Tomás de Aquino a sistematizou na Suma Teológica; Calvino a adotou nas Institutas; e boa parte da tradição protestante a recebeu como se fosse uma distinção encontrada diretamente no texto bíblico, quando talvez seja apenas uma maneira escolástica de organizar a legislação de Moisés.

Douglas Moo segue por um caminho semelhante em seu ensaio “The Law of Christ as the Fulfillment of the Law of Moses”, publicado em Five Views on Law and Gospel. Para ele, o cristão não está debaixo da lei mosaica, seja de sua parte moral, civil ou cerimonial. Está debaixo da “lei de Cristo”. Os mandamentos do Antigo Testamento continuam obrigatórios quando são reafirmados e incorporados ao ensino da nova aliança. Daí vem um argumento bastante conhecido. Nove dos Dez Mandamentos reaparecem no Novo Testamento como obrigações para os cristãos. O sábado, dizem, não. Portanto, os nove permanecem porque foram reafirmados; o quarto mandamento, por não ter recebido a mesma reafirmação, deixou de ser obrigatório.

Confesso que considero essa uma das objeções mais fortes contra a posição que estou defendendo. Ela merece muito mais atenção do que a simples repetição de que “a lei foi cravada na cruz”. Se a divisão entre lei moral e cerimonial foi realmente construída séculos depois e imposta ao texto para preservar certos mandamentos, então não basta ao adventista afirmar que essa distinção existe. Ele precisa demonstrá-la a partir da própria Escritura.

Mas há algo curioso no uso que se faz de Tiago 2:10.

O versículo é frequentemente citado para provar que a lei constitui uma unidade indivisível. Tropeçar em um ponto, diz Tiago, torna a pessoa culpada de todos. Muito bem. Mas observe os exemplos que ele apresenta no versículo seguinte: “não adulterarás” e “não matarás”. Tiago está citando diretamente o Decálogo. E, apenas dois versículos depois, recomenda que seus leitores falem e procedam “como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade” (Tiago 2:12).

Não percamos de vista o óbvio: Tiago escreveu depois da cruz e escreveu a cristãos. Em seu argumento, mandamentos do Decálogo continuam definindo o pecado, orientando a conduta cristã e participando do padrão pelo qual seus leitores seriam julgados.

Isso, por si só, ainda não prova toda a distinção entre lei moral e cerimonial. Seria precipitado imaginar que três versículos resolvem uma questão desse tamanho. Mas eles tornam difícil usar Tiago como se ele simplesmente encerrasse o debate em favor da abolição da lei mosaica.

Na verdade, a própria objeção nos conduz de volta ao problema do critério. Se a lei é absolutamente indivisível, por que o “não matarás” continua válido enquanto a circuncisão e os sacrifícios deixaram de ser exigidos? Se a resposta for que o primeiro foi incorporado à lei de Cristo e os demais não, então uma distinção acaba de ser feita. Talvez não seja a distinção entre “moral” e “cerimonial”, mas continua sendo uma distinção, baseada num critério que precisa ser defendido.

É exatamente isso que Moo procura fazer. Sua resposta não é incoerente: os mandamentos permanecem quando são reafirmados no Novo Testamento. A questão é saber se esse critério explica adequadamente todos os dados bíblicos. O sábado realmente desaparece do horizonte da nova aliança? O Novo Testamento só preserva um mandamento quando o repete formalmente? E devemos entender o silêncio como revogação, mesmo quando o preceito está enraizado na criação e não apenas na legislação do Sinai?

Essas perguntas terão de esperar um pouco. Por enquanto, basta reconhecer que a objeção não elimina a necessidade de distinguir. Ela apenas propõe outra maneira de fazê-lo. Por isso, a pergunta principal não é se as palavras “lei moral” e “lei cerimonial” aparecem na Bíblia. A palavra “Trindade” também não aparece, e ninguém conclui daí que o conceito seja antibíblico. A questão é se a própria Escritura trata certos preceitos de maneira diferente — por sua origem, por sua função, pelo modo como foram dados e por sua relação com a obra de Cristo.

Tenho razões para crer que sim. Vou apresentá-las em quatro linhas de evidência que, tomadas em conjunto, tornam essa distinção muito mais difícil de descartar do que a objeção permite imaginar.

A distinção antes da terminologia

A primeira linha de resposta nos leva de volta ao próprio Pentateuco. A distinção entre o Decálogo e o restante da legislação mosaica não começou com Tomás de Aquino. Talvez o Pentateuco não utilize as expressões “lei moral” e “lei cerimonial”, mas trata os Dez Mandamentos de uma maneira que não aplica indistintamente a todas as demais prescrições. E faz isso em pelo menos quatro aspectos.

O primeiro é o modo como foram proclamados. Os Dez Mandamentos não chegaram ao povo apenas pela voz de Moisés. Deus os pronunciou diretamente, do meio do fogo, diante de toda a congregação. Deuteronômio registra o episódio com uma observação significativa: “Estas palavras falou o SENHOR a toda a vossa congregação no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz, e nada acrescentou” (Deuteronômio 5:22).

A frase “e nada acrescentou” merece atenção. Ela destaca as dez palavras como um pronunciamento delimitado, entregue diretamente por Deus ao povo. Depois disso, Moisés permanece no monte como mediador e recebe outras instruções que deveria transmitir a Israel. Isso não significa que o restante da legislação não viesse de Deus. Significa que o próprio relato distingue o modo pelo qual o Decálogo foi comunicado.

A segunda diferença está no registro. As tábuas contendo as dez palavras foram escritas “pelo dedo de Deus” (Êxodo 31:18). A legislação transmitida por intermédio de Moisés foi registrada por ele em um livro. Em Êxodo está escrito que “Moisés escreveu todas as palavras do SENHOR” (Êxodo 24:4), e em Deuteronômio lemos posteriormente que ele escreveu a lei e a entregou aos sacerdotes (Deuteronômio 31:9).

Novamente, a diferença não está entre uma palavra divina e outra meramente humana. Moisés escrevia aquilo que havia recebido de Deus. O ponto é que o próprio Moisés faz questão de atribuir a escrita das tábuas a Deus, enquanto apresenta a si mesmo como o escriba e mediador das demais instruções.

Em terceiro lugar, há o suporte em que foram registradas. De um lado, tábuas de pedra; do outro, um livro. Não devemos construir todo o argumento sobre o simbolismo do material, como se tudo o que fosse escrito em pedra necessariamente tivesse validade eterna. Ainda assim, dificilmente o contraste é irrelevante. As dez palavras recebem uma forma própria, distinta do corpo mais amplo da legislação que Moisés deveria conservar e ensinar.

Mas é o quarto aspecto que considero mais expressivo: o lugar em que cada registro foi depositado.

As tábuas foram colocadas dentro da arca da aliança (Deuteronômio 10:5). O livro da lei, por sua vez, foi posto ao lado da arca, “para que ali esteja por testemunha contra ti” (Deuteronômio 31:26). Um registro permaneceu dentro da arca; o outro, ao seu lado. As tábuas ficaram sob o propiciatório, no centro simbólico da aliança. O livro foi colocado externamente como testemunha das obrigações assumidas por Israel e de suas transgressões.

Agora, nenhum desses elementos, tomado isoladamente, prova toda a distinção posterior entre lei moral, civil e cerimonial. A voz de Deus, as tábuas de pedra ou o lugar de depósito não resolvem sozinhos o debate. Contudo, quando os quatro aspectos são considerados em conjunto — proclamação, autoria do registro, suporte e localização — torna-se difícil afirmar que o Pentateuco trata o Decálogo exatamente como trata todas as demais prescrições.

Nesse ponto, o crítico tem razão em insistir que as expressões “lei moral” e “lei cerimonial” não aparecem no texto. Mas a ausência de uma terminologia posterior não implica a ausência da realidade que essa terminologia procura descrever. A pergunta exegética, portanto, não é simplesmente: “O Pentateuco utiliza nossas categorias?” Evidentemente, não. A questão é: “O Pentateuco trata o Decálogo de maneira distinta do restante da legislação?” E a resposta é sim. Antes que os teólogos dessem nomes às categorias, o próprio texto já havia marcado uma diferença.

Escrito em pedras: a objeção mais forte

Se você está familiarizado com o Novo Testamento talvez já esteja pensando em uma passagem que parece complicar tudo o que acabo de dizer. Sustentei que a pedra, no contexto do Decálogo, comunica permanência. Paulo, porém, escreve em 2 Coríntios 3 sobre “o ministério da morte, gravado com letras em pedras” (v. 7), um ministério que veio acompanhado de glória, mas de uma glória que se desvanecia. E alguns versículos depois acrescenta: “se o que se desvanecia teve a sua glória, muito mais glória tem o que é permanente” (v. 11).

Não adianta contornar a dificuldade. Paulo está falando do Decálogo. É ele que foi gravado em pedras, e é a esse contexto que o apóstolo associa as expressões “ministério da morte” e “ministério da condenação”. Se existe uma passagem no Novo Testamento que poderia ser tomada como evidência de que os Dez Mandamentos perderam sua validade, esta é certamente uma das mais fortes. Mais forte, a meu ver, do que Colossenses 2, onde a palavra “lei” sequer aparece. É curioso que esse texto receba tão pouca atenção em debates populares, porque os estudiosos que o colocam no centro da discussão têm razão em fazê-lo.

A questão, portanto, é simples: o que exatamente está se desvanecendo em 2 Coríntios 3?

Comecemos pelo contraste que o próprio Paulo estabelece. Ele não compara dois conjuntos de mandamentos. Compara dois ministérios, duas diakoníai, duas formas pelas quais a relação da aliança se apresenta. De um lado está a lei gravada externamente em pedra; do outro, a obra do Espírito, pela qual aquilo que antes estava diante do homem passa a ser escrito “não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (3:3).

Essa imagem é importante demais para ser tratada como mero ornamento. Paulo não descreve o conteúdo da pedra sendo destruído e substituído por outra moral. Sua imagem é a da escrita que passa da pedra para o coração. E essa linguagem não nasceu com ele. É o eco direto da promessa profética: “tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos” (Ez 36:26-27). Repare na lógica de Ezequiel. O Espírito não vem para libertar o povo dos estatutos de Deus, mas para tornar possível aquilo que o coração endurecido não conseguia fazer: andar neles.

Isso nos ajuda a entender por que Paulo pode chamar a antiga administração de “ministério da morte”. O problema não estava na santidade do mandamento. O próprio Paulo diz em outro lugar que “a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Rm 7:12). O problema estava no encontro entre uma lei santa e um homem pecador. A lei revela, acusa e condena, mas não possui em si mesma o poder de transformar o coração que condena. Nesse sentido, “a letra mata”. Um padrão perfeito diante de uma criatura culpada só pode pronunciar sentença.

É precisamente aí que entra o ministério do Espírito. O que muda não é o caráter moral de Deus, mas a condição do homem diante dele. Aquilo que antes permanecia externamente gravado em pedra agora é internalizado pelo Espírito. A glória do ministério mosaico era real, mas provisória, como a própria glória refletida no rosto de Moisés. O ministério do Espírito é superior porque realiza interiormente aquilo que a letra exterior jamais poderia produzir por si mesma.

Há ainda uma dificuldade bastante séria para a leitura segundo a qual Paulo estaria abolindo o conteúdo do Decálogo. Pouco tempo depois, escrevendo aos Romanos, ele continua tratando os mandamentos como expressão válida da vontade moral de Deus. “Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás”, escreve ele, antes de afirmar que todos se resumem no amor ao próximo (Rm 13:9). No mesmo documento, chama o mandamento de “santo, justo e bom” (7:12) e declara que a fé não anula a lei, mas a confirma (3:31).

É difícil acreditar que Paulo tenha declarado abolido em Corinto aquilo que continuou empregando em Romanos como norma moral cristã. A tensão desaparece quando percebemos que 2 Coríntios 3 não descreve a revogação do conteúdo moral da lei, mas o fim de uma administração caracterizada pela condenação da letra diante de um coração não transformado.

E há uma maneira bastante simples de testar a leitura contrária. Se “gravado em pedras” é aquilo que deixou de ter validade, então não foi apenas um mandamento que desapareceu. Naquelas mesmas pedras estavam escritos “não matarás”, “não adulterarás”, “não furtarás” e a proibição da idolatria. Seria preciso concluir que todos eles caducaram juntos. Quase ninguém disposto a usar 2 Coríntios 3 contra o Decálogo aceita essa consequência, e com razão. Mas, uma vez rejeitada essa conclusão, já se reconheceu o ponto essencial: o que se desvanece na passagem não pode ser simplesmente o conteúdo moral gravado nas tábuas.

O versículo que Paulo não poderia ter escrito

Acredito que a segunda linha de evidência é ainda mais difícil para a tese de uma lei inteiramente indivisível: o próprio Novo Testamento trabalha com uma distinção que, segundo essa tese, não existiria. E talvez nenhum texto deixe isso mais claro do que 1 Coríntios 7:19. Paulo escreve: “A circuncisão nada é, e a incircuncisão nada é, mas o que importa é a observância dos mandamentos de Deus.”

Note o que essa frase pressupõe. A circuncisão era, afinal, um mandamento de Deus, ordenado pelo próprio Deus a Abraão em Gênesis 17, séculos antes do Sinai. Se Paulo entendesse “mandamentos de Deus” como uma categoria absolutamente uniforme, sua afirmação se tornaria difícil de explicar. Ele estaria dizendo, em efeito, que um mandamento de Deus nada é, enquanto o que importa é guardar os mandamentos de Deus. Seria um raciocínio estúpido. A frase só ganha sentido se Paulo tivesse distinguido entre uma ordenança cuja obrigatoriedade cessou e mandamentos que continuam válidos para o cristão. Ele não parou para nomear essas categorias, mas claramente raciocinou com elas.

O mesmo padrão aparece quando comparamos suas afirmações sobre “a lei”. Em Efésios 2:15, Paulo diz que Cristo “aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças”. Em Romanos 7:12, afirma que “a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom”. E em Romanos 3:31 pergunta se a fé anula a lei, para responder enfaticamente: “Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei.” Essas afirmações dificilmente podem ser colocadas lado a lado se “lei” significar sempre, em Paulo, exatamente a mesma coisa. O próprio contexto mostra que o termo assume extensões diferentes.

Em Efésios 2:15, por exemplo, a lei abolida aparece qualificada: “na forma de ordenanças” — en dógmasin, decretos, regulamentos. E Paulo explica qual era sua função naquele contexto: ela constituía a “parede da separação” entre judeu e gentio. O Decálogo jamais desempenhou esse papel. “Não matarás” obrigava tanto o israelita quanto o estrangeiro, e ninguém era mantido fora de Israel por causa da proibição do falso testemunho. O que marcava a separação eram as instituições cerimoniais e nacionais: a circuncisão, leis de pureza, os rituais de sacrifícios no santuário, calendário cultual. Era esse o muro que separava judeu e gentio, e é esse o muro que Paulo descreve como derrubado.

Agora em Romanos 7:7 a distinção se torna ainda mais difícil de ignorar. Quando Paulo quer explicar a função da lei, escolhe como exemplo o décimo mandamento: “não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás”. Aqui temos um mandamento do Decálogo citado como “lei” e ainda exercendo sua função de revelar o pecado numa carta escrita mais de vinte anos depois da cruz.

O mesmo ocorre em Romanos 13:8-10. Paulo cita quatro mandamentos do Decálogo e conclui que “o amor é o cumprimento da lei”. A palavra é plērōma: cumprimento, plenitude. O amor não torna esses mandamentos irrelevantes; ele realiza aquilo para o qual apontam. E isso pressupõe que a lei resumida pelo amor ainda tenha algo a dizer. Ninguém precisa cumprir aquilo que já deixou de existir.

Uma nota promissória num madeiro

A terceira linha nos leva, enfim, ao texto que está no centro de toda essa discussão. Em Colossenses 2:14 o apóstolo escreveu: “tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz.”

A expressão traduzida como “escrito de dívida” é cheirógraphon, termo usado no grego comercial da época para um documento de dívida, uma espécie de nota promissória assinada pelo próprio devedor em reconhecimento do que devia. Os papiros do período oferecem vários exemplos de cheirógrapha. O que Paulo diz ter sido cravado na cruz, portanto, não é simplesmente “a lei”. A palavra nómos nem sequer aparece no versículo. O que é cancelado é aquilo que estava contra nós: o registro da nossa dívida. E as “ordenanças” ligadas a esse documento são chamadas de dógmata, a mesma palavra que Paulo emprega em Efésios 2:15. As duas cartas pertencem ao mesmo período em que Paulo esteve na prisão e foram entregues por Tíquico (Cl 4:7; Ef 6:21), o que torna bastante natural lê-las em conjunto. Em ambas, a linguagem aponta para decretos e ordenanças, não para as dez palavras.

Talvez a imagem por trás da linguagem de Paulo esteja relacionada às execuções romanas. Os romanos costumavam afixar na cruz o titulus, a placa que registrava a acusação contra o condenado. Sobre Jesus, Pilatos mandou escrever: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus.” (Jo 19:19). A linguagem de Colossenses parece sugerir algo ainda mais profundo: aquilo que realmente pesava contra nós, nosso registro de dívida, foi levado para a cruz com Cristo. Ele morreu tendo sobre si a acusação que era nossa.

Isso faz muita diferença para a leitura do texto. Quando uma dívida é quitada, o que desaparece é o documento que a registrava, não o padrão que permitia reconhecer que havia dívida. Se alguém quita um financiamento imobiliário, o banco dá baixa na dívida; isso não revoga a lei que dava validade a essa obrigação. Do mesmo modo, Paulo está falando da remoção daquilo que nos condenava. A cruz cancela a dívida. Porém, ela não transforma em inexistente o padrão pelo qual essa dívida era reconhecida.

Chegamos, então, aos versículos 16 e 17, onde Paulo menciona os “sábados”: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.

Reconheço que este é um ponto que nem sempre recebeu o cuidado devido entre apologistas adventistas. Alguns já sustentaram que os “sábados” mencionados por Paulo seriam apenas os sábados cerimoniais anuais, e não o sábado semanal. D. A. Carson e os colaboradores de From Sabbath to Lord’s Day, talvez a obra mais importante da posição contrária, argumentam que a sequência “festa, lua nova, sábado” segue uma fórmula conhecida do Antigo Testamento: celebrações anuais, mensais e semanais. A tríade aparece dessa maneira em 1 Crônicas 23:31, Oséias 2:11 e Ezequiel 45:17. Nesse ponto, penso que Carson está certo.

No entanto, essa concessão não resolve a questão em favor da leitura contrária, porque os próprios textos em que a fórmula aparece mostram em que contexto o sábado está sendo mencionado. Em 1 Crônicas 23:31, por exemplo, a referência é aos holocaustos oferecidos “nos sábados, nas Festas da Lua Nova e nas festas fixas”. O mesmo padrão aparece em outras passagens. O sábado fazia parte dessa sequência porque também possuía sua dimensão sacrificial: Números 28:9-10 prescrevia dois cordeiros adicionais para cada sábado.

Isso significa que o sábado podia aparecer dentro do calendário cultual não apenas como dia de descanso, mas também como ocasião de sacrifícios específicos. E é exatamente esse ambiente que encontramos em Colossenses 2: comida, bebida, festas, luas novas e sábados descritos como “sombra das coisas que haviam de vir”. A linguagem pertence ao sistema cerimonial que apontava para Cristo. Os sacrifícios oferecidos no sábado eram sombra; encontraram seu cumprimento no Calvário. Mas o sábado não começou com esses sacrifícios, nem sua identidade se esgota neles.

Por isso, ler Colossenses 2:16-17 como simples revogação do quarto mandamento cria uma dificuldade gigantesca que permanece sem resposta. Seria preciso explicar por que justamente um dos mandamentos gravados pelo dedo de Deus e colocado dentro da arca seria absorvido pela categoria de “sombra”, enquanto os outros nove, escritos pelo mesmo Deus e nas mesmas tábuas de pedra, permaneceriam moralmente obrigatórios. O texto, por si só, não oferece essa distinção.

Dias, meses, tempos e anos

Restam ainda dois textos que aparecem com frequência nessa discussão. “Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias” (Rm 14:5). E, em Gálatas: “guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão” (Gl 4:10-11). A conclusão parece ser óbvia e decepcionante para nós adventistas: para Paulo, separar um dia dos outros seria, na melhor das hipóteses, uma questão de consciência; na pior, um sinal de regressão espiritual. Será que é isso mesmo?

Pois bem, comecemos por Romanos 14. O dado mais simples é também o mais importante: nem a palavra “sábado” nem a palavra “lei” aparecem no capítulo. O assunto declarado por Paulo é outro: “acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões” (14:1). E as opiniões em questão giram em torno da comida: alguns comem de tudo, outros comem apenas legumes (14:2), e a isso se ligam determinados dias de jejum e abstinência. O fariseu da parábola, por exemplo, jejuava “duas vezes por semana” (Lc 18:12), e o judaísmo da época estipulava dias específicos de jejum e devoção. Numa comunidade composta por judeus e gentios convertidos, era natural que esses costumes produzissem tensão.

Assim, é nesse contexto que Romanos 14 deve ser lido: práticas devocionais sobre as quais Deus não havia dado uma legislação universal e que, por isso mesmo, podiam ser deixadas à consciência de cada um. Colocar o quarto mandamento nessa mesma categoria cria uma dificuldade evidente. Paulo estaria tratando como escrúpulo do “débil na fé” um mandamento que ele próprio chama de santo, justo e bom, pronunciado por Deus e gravado pelo seu dedo. Não é uma leitura impossível, mas está longe de ser a mais natural dentro do conjunto do pensamento paulino. Se é “santo, justo e bom”, como pode ser coisa de “débil na fé”?

Além disso, se Romanos 14:5 significa simplesmente que nenhum dia pode ser considerado especial, então o argumento não atinge apenas o sábado. Ele atinge igualmente o domingo ou qualquer outro dia ao qual se queira atribuir algum caráter religioso distinto, transformando-o em coisa de “débil na fé”. Usado dessa maneira, o texto acaba provando mais do que aqueles que o invocam geralmente pretendem.

Gálatas 4 exige ainda mais atenção ao contexto, porque ali o apóstolo está realmente alarmado. Os gálatas eram gentios vindos do paganismo e estavam sendo persuadidos de que, para pertencer plenamente ao povo de Deus, precisavam assumir os sinais da identidade judaica, com a circuncisão em primeiro plano. É essa tentativa de voltar da fé para o rito como condição de aceitação diante de Deus que Paulo descreve como retorno aos “rudimentos fracos e pobres” (4:9).

“Dias, e meses, e tempos, e anos” aparece nesse contexto como parte de um calendário religioso assumido dentro desse sistema de justificação. E há um detalhe que merece atenção: Paulo não menciona o sábado pelo nome, numa carta em que não hesita em falar repetidamente da circuncisão. Se o quarto mandamento estivesse diretamente em sua mira, esse silêncio seria, no mínimo, curioso.

Temos ainda o dado biográfico. O mesmo Paulo que escreveu Gálatas continuava entrando nas sinagogas no dia de sábado “segundo o seu costume” e, em Tessalônica, arrazoou com os judeus “por três sábados” (At 17:2). Lucas, que o acompanhou em parte de suas viagens, registra isso sem qualquer constrangimento. É difícil imaginar Paulo denunciando como regressão espiritual, numa carta, uma prática que continuava fazendo habitualmente em sua missão.

O problema em Gálatas, portanto, não é a simples observância de um dia, mas transformar dia de guarda, circuncisão ou qualquer outra obra em requisito para obter o que só se recebe pela fé. A salvação é pela graça, mediante a fé (Efésios 2:8). Contra isso, Paulo não deixa espaço para concessões — e com razão.

Antes da queda

A quarta linha de evidência me parece a mais profunda, porque nos leva ao fundamento da questão.

Pense no que era o sistema cerimonial do Antigo Testamento: uma espécie de evangelho em miniatura. O cordeiro, o sangue, o sacerdote, o véu — tudo apontava para o ministério de Cristo e sua morte na cruz. O autor de Hebreus diz isso de maneira clara: “Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas” (Hb 10:1), e acrescenta que “é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb 10:4). A própria existência dessas instituições pressupõe uma humanidade já ferida pelo pecado. Antes da queda no Éden, nada havia para expiar. As “sombras” pertencem à parte da história na qual a humanidade já havia mergulhado na transgressão.

O sábado, porém, aparece antes de tudo isso. Sua origem está na própria criação: “E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra… abençoou Deus o dia sétimo e o santificou” (Gn 2:2-3). Nessa cena, o pecado não tinha entrado no mundo ainda, não havia necessidade de sacrifícios de animais nem de qualquer lei cerimonial (as sombras que apontavam para o ministério de Cristo), porque ainda não havia nada do que o homem precisasse ser redimido. E há um detalhe no texto que facilmente passa despercebido: esse é o primeiro uso do verbo “santificar” em toda a Escritura. A primeira coisa que a Bíblia apresenta como santa não é um monte, um altar, um livro ou um povo. Antes de qualquer espaço sagrado, Deus consagrou um dia. Abraham Heschel, sem qualquer interesse nas nossas controvérsias, construiu um livro inteiro em torno dessa ideia e chamou o sábado de um “palácio no tempo”.

O mais notável é que Jesus raciocina exatamente assim. Quando os fariseus o pressionam sobre o divórcio, seu método é apelar por cima de Moisés, direto à criação: “mas não foi assim desde o princípio” (Mateus 19:8). A instituição criacional julga a regulamentação posterior, não o contrário. E quando o assunto é o sábado, Jesus usa o mesmo método: “O sábado foi estabelecido por causa do homem” (Marcos 2:27). O verbo grego é egéneto, que significa “veio a existir” ou “foi feito”, ecoando a linguagem da criação. E o beneficiário é ánthrōpos, o homem, o ser humano, não apenas o judeu.

Se o sábado fosse uma mera cerimônia israelita com prazo de validade, Jesus teria escolhido a pior defesa possível. Em vez de relativizá-lo, Ele fundamenta o sábado no mesmo patamar de origem do casamento: a criação. Na sequência imediata, ele ainda se declara “senhor também do sábado” (Marcos 2:28), o que é um título curioso para quem estaria prestes a demolir o domínio; ninguém se coroa rei de um território que planeja evacuar. E note o contexto: Jesus pronuncia tudo isso para corrigir o modo farisaico de guardar o sábado. Ele passou Seu ministério inteiro ensinando como guardar o sábado corretamente. Nunca, em lugar algum nos quatro evangelhos, Ele deixou margem para acreditarmos se devemos ou não guardá-lo.

O crítico, a esta altura, poderá objetar com Êxodo 31, onde o sábado é chamado “sinal entre mim e os filhos de Israel”. E é verdade. A questão, no entanto, é saber se uma função pactual recebida posteriormente muda a origem da instituição. Nesse momento, a comparação com a circuncisão ajuda bastante. A circuncisão foi estabelecida como sinal desde sua origem. Em Gênesis 17, Deus institui a circuncisão como marca de uma aliança específica, e por isso Paulo pode mais tarde dizer que “a circuncisão nada é” quando aquela administração já não define o povo de Deus. Com o sábado, a ordem é diferente. O sábado não surge como uma marca exclusiva de Israel; ele é instituído na criação e, séculos mais tarde, passa a atuar também como sinal de santificação para o povo de Deus.

O critério, enfim

Reunidas as quatro linhas de evidência, o critério que o crítico exigia começa a aparecer por si mesmo. A lei de Deus contém preceitos diferentes em origem e função. Alguns estão ancorados na criação e refletem diretamente o caráter moral de Deus. É o caso do Decálogo, que resume em dez mandamentos o amor a Deus e ao próximo. Não por acaso, Jesus diz que desses dois grandes mandamentos “dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22:40). O verbo é krémantai, “pendem”: a imagem é de algo que se sustenta neles, não de algo que é descartado. Outros preceitos surgem depois da queda e pertencem à administração tipológica: sacrifícios, sacerdócio, festas e regras nacionais.

E essas duas espécies de preceito se cumprem em Cristo de maneiras diferentes. Quando Jesus diz no Sermão do Monte: “não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5:17), o próprio contexto mostra que “cumprir” não significa sempre a mesma coisa. O cerimonial se cumpre por consumação: o tipo encontra seu antítipo e chega ao seu propósito. “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1Co 5:7); depois disso, continuar sacrificando cordeiros seria agir como se a morte de Jesus na cruz não tivesse nenhum valor.

Com a lei moral, porém, o movimento é outro. Jesus a leva mais fundo. O homicídio é rastreado até a ira; o adultério, até a cobiça do olhar (Mt 5:21-28). Ele não reduz a exigência do mandamento, mas a conduz até a intenção do coração. Em Mateus 5, Jesus de modo algum estava abolindo as regras morais expressas no Decálogo. O que Ele fez foi expandi-las, mostrando que elas abarcam até mesmo a raiz do pecado: os pensamentos e intenções. “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mateus 5:27-28).

Esse critério, portanto, não precisa ser importado para salvar o sábado. Ele emerge quando se pergunta, em cada caso, qual é a origem e a função do preceito. Surgiu antes do pecado ou em resposta a ele? Aponta tipologicamente para a cruz ou expressa uma obrigação moral que continua sendo afirmada depois dela? O Novo Testamento o trata como tipo consumado ou como mandamento ainda vigente?

Os sacrifícios surgiram por causa do pecado, apontavam para Cristo e encontraram Nele o seu cumprimento. A circuncisão era um sinal pactual na carne, e Paulo pôde declará-la “nada”. As festas pertenciam ao calendário tipológico e chegaram ao seu cumprimento. Mas o “não cobiçarás” continuou sendo citado por Paulo, décadas depois da cruz, como a lei que revela o pecado. “Não adulterarás” e “não matarás” permaneceram como mandamentos obrigatórios para o cristão. E o sábado foi levado pelo próprio Jesus de volta à criação, ao mesmo patamar em que está o casamento.

É aí que a distinção deixa de parecer arbitrária. Ela acompanha o próprio modo como a Escritura trata cada preceito. O critério não foi inventado para preservar uma conclusão. Repare que isso responde à objeção de Moo por dentro. Ele dizia que só permanece o mandamento reafirmado no Novo Testamento, mas o próprio Novo Testamento nunca estabelece essa regra, e um sábado ancorado na criação é reafirmado por algo mais antigo e mais firme do que qualquer repetição apostólica: a ordem do mundo, anterior a tudo.

A lei dada a um povo já liberto

Bem, se precisamos obedecer a lei ainda, onde entra a graça nessa história? Insistir na permanência da lei não seria, no fundo, uma forma disfarçada de salvação pelas obras?

Essa objeção nasce de um equívoco sobre o que aconteceu no Sinai. Basta observar como o Decálogo começa: “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Êx 20:2). O povo de Israel não obedeceu a lei para sair do Egito. O povo saiu de lá pela ação poderosa de Deus. Somente então, já liberto, recebeu no Sinai a forma de vida própria de um povo livre. A sequência é a mesma que encontramos no evangelho: Deus salva o perdido, e o salvo responde em obediência. O Sinai, portanto, não apresenta um caminho rival ao Calvário. Ele já contém, em forma antecipada, a mesma ordem da graça. Colocar lei e graça como dois métodos concorrentes de salvação não faz sentido a partir de uma leitura correta das Escrituras.

Paulo sabia que sua mensagem poderia ser distorcida nessa direção. Por isso, em Romanos 6, ele formula duas vezes a conclusão que alguns tirariam de sua pregação: “Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante?” (v. 1); “Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça?” (v. 15). Nas duas ocasiões, responde com a expressão mais forte que tinha à disposição: mē génoito, isto é, de modo nenhum.

Há algo revelador nisso. A pregação paulina da graça podia soar, quando mal compreendida, como licença para abandonar a lei. Caso contrário, a objeção nem sequer teria surgido. Paulo a reconhece porque sabe que sua mensagem pode ser torcida; mas a rejeita com toda a força porque essa conclusão não pertence ao evangelho que ele anuncia.

Em Romanos 8:3-4 isso fica ainda mais claro. Paulo diz que Deus enviou o Filho “a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Vale a pena prestar atenção à finalidade expressa na frase: a justa exigência da lei deve cumprir-se em nós. Isso está entre os resultados da obra de Cristo. Ele não morreu para tornar irrelevante aquilo que a lei exigia, mas para formar um povo em cuja vida essa vontade finalmente se realizasse.

É também essa a promessa da nova aliança. O profeta Jeremias a anunciou, e o autor de Hebreus a repetiu: “Na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei” (Hb 8:10). A mudança não consiste em abolir a lei, mas em internalizá-la. Aquilo que estava diante do homem passa a ser escrito dentro dele. Se a lei tivesse sido revogada na cruz, a nova aliança estaria gravando no coração dos remidos um documento que já não teria validade. A promessa perderia o sentido.

Há, aliás, um precedente que sempre me chama a atenção. Esta não é a primeira vez que Deus reescreve sua lei depois que o homem a quebra. Ao pé do Sinai, diante do bezerro de ouro, Moisés despedaçou as tábuas. Deus, porém, não abandonou as dez palavras. Chamou Moisés de volta ao monte e ordenou: “Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras; e escreverei nelas as mesmas palavras” (Êx 34:1).

As mesmas palavras. Desde o princípio, a resposta de Deus à lei quebrada não foi revogá-la, mas escrevê-la novamente. A nova aliança repete esse movimento em profundidade ainda maior. No Sinai, as palavras passam das tábuas quebradas para novas tábuas. Na nova aliança, passam da pedra para o coração.

No fim, o antinomismo termina esvaziando justamente a graça que pretende proteger. João afirma que “o pecado é a transgressão da lei” (1Jo 3:4). Se a lei desaparece, torna-se difícil dizer o que é pecado. E, quando o pecado perde sua definição, o perdão também perde seu conteúdo. A graça passa a ser uma resposta sem pergunta, uma cura sem doença.

A lei revela a ferida; a graça a trata. Eliminar o diagnóstico não torna a cura mais gloriosa. Apenas torna incompreensível a razão pela qual precisamos dela. É por isso que Paulo pode celebrar a superabundância da graça e, na mesma carta, afirmar que a fé “confirma a lei” (Rm 3:31). A graça reina, mas reina “pela justiça” (Rm 5:21), não pela dissolução de toda obrigação moral.

E é também por isso que a obediência cristã não é moeda de salvação nem fardo imposto a quem ainda tenta merecer o favor de Deus. Ela é a resposta de quem já foi alcançado por esse favor. “Este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1Jo 5:3).

O cachorro que não latiu

Falta agora enfrentar a réplica final, e ela é boa: “Admitamos tudo isso. Ainda assim, o Novo Testamento nunca ordena aos gentios convertidos que guardem o sábado. O concílio de Jerusalém, em Atos 15, listou o que se exigia deles, e o sábado não está na lista. O silêncio condena vocês.”

O silêncio, para começar, recai sobre os dois lados. Pense no que foi a controvérsia da circuncisão: dividiu igrejas, convocou um concílio, atravessou a carta aos Gálatas inteira em tom de anátema. Tudo isso por um rito realizado uma única vez na vida de um homem. Agora imagine o tamanho da encrenca se os apóstolos tivessem ensinado que o quarto mandamento, o mais extenso do Decálogo, o único que começa com “lembra-te”, o ritmo semanal de toda a vida judaica havia quinze séculos, estava revogado. Onde estão as cartas destinadas a resolver esse caos? Onde está o concílio, a polêmica, um único versículo de judeus crentes escandalizados? Não existe.

Sobre a circuncisão, a controvérsia é enorme. Sobre os alimentos sacrificados aos ídolos e as refeições entre judeus e gentios, a discussão é longa. Quanto à revogação do sábado, porém, não encontramos uma única palavra. É o caso clássico do “cachorro que não latiu” na noite do crime, aquele de Sherlock Holmes: o silêncio só se explica se nada de anormal aconteceu, se o sábado seguiu sendo o que sempre fora, pacificamente guardado por judeus e gentios convertidos lado a lado. Aliás, o próprio Atos 15 deixa o cenário aparecer: Tiago encerra seu voto observando que “Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados” (Atos 15:21). Os gentios convertidos estavam nas sinagogas, no sábado, e ninguém no concílio achou que isso precisasse mudar.

Lucas, escrevendo décadas após a cruz para leitores gentios, registra que as mulheres que acompanharam o sepultamento de Jesus, “no sábado, descansaram, segundo o mandamento” (Lucas 23:56). Perceba que a expressão aparece sem ressalva: “segundo o mandamento”. Lucas não escreve como quem explica uma prática antiga já abandonada. E os evangelistas sabiam explicar costumes alheios quando era preciso: Marcos interrompe a narrativa para esclarecer aos gentios as lavagens cerimoniais dos fariseus em Marcos 7:3-4. Já para o sábado, não temos nenhuma nota de rodapé; o mandamento ainda era linguagem comum entre escritor e leitor.

O próprio Jesus também pressupõe que seus discípulos ainda se importariam com o sábado quando Jerusalém fosse destruída, cerca de quarenta anos depois de sua morte: “Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado” (Mt 24:20). Seria estranho adverti-los sobre uma instituição que, naquele momento, já não teria qualquer significado religioso. E Lucas registra, em Antioquia da Pisídia, um lance que costuma passar em branco: os gentios da cidade, tocados pela pregação de Paulo, pedem que tudo lhes seja repetido “no sábado seguinte”, e no sábado seguinte “quase toda a cidade” se reúne para ouvir (Atos 13:42-44). Paulo tinha ali a ocasião perfeita para a correção pastoral. Ele poderia ter dito: “não esperem para o próximo sábado, irmãos, o dia santo agora é o domingo”. Sabemos que nada disso aconteceu.

Reconheço, é claro, que isso são indícios, não uma demonstração incontestável. Sei também que Hebreus 4:9, “resta um repouso [sabbatismós] para o povo de Deus”, é um texto disputado, lido por muitos como descanso escatológico. Ainda bem que a continuidade do sábado não depende de um único versículo, mas da maneira como todos esses dados se encaixam. Algo como uma corda trançada: fios que, isolados, sustentam pouco, e que juntos sustentam muito.

Tudo bem, mas se a mudança do sábado para o domingo não veio de Cristo nem dos apóstolos, de onde veio, e quando? Aqui não dependemos de conjectura. Quando saímos do Novo Testamento e chegamos ao segundo século, a mudança começa finalmente a aparecer.

A carta de Plínio, o Jovem, ao imperador Trajano, escrita por volta de 112 d.C., informa que os cristãos da Bitínia se reuniam antes do amanhecer em “um dia fixo”. Plínio não diz qual. Interpretar esse “dia fixo” como sendo o domingo é colocar no documento uma informação que ele não contém. A Epístola de Barnabé (cap. 15), escrita provavelmente em Alexandria por volta de 130 d.C., é o primeiro documento cristão a celebrar “o oitavo dia”, e o faz dentro de um quadro abertamente hostil ao judaísmo, chegando a pôr na boca de Deus a rejeição dos sábados de Israel. Poucas décadas depois, por volta de 155 d.C, Justino Mártir oferece o primeiro retrato inequívoco de culto semanal “no dia chamado do Sol” (Primeira Apologia, 67), e as razões que apresenta são ideias dele, a criação da luz no primeiro dia e a ressurreição; em nenhum momento cita um mandamento do Senhor ou dos apóstolos, que certamente teria citado se existisse.

O mesmo Justino, aliás, ensina no Diálogo com Trifão que o sábado foi imposto a Israel por causa de sua dureza e de seus pecados (Diálogo, 21). A explicação está muito distante das palavras de Jesus, para quem “o sábado foi estabelecido por causa do homem” (Mc 2:27). Diante da crescente hostilidade ao judaísmo nos dias de Justino, não é difícil compreender o ambiente em que essa interpretação ganhou forma.

Quanto a Inácio de Antioquia, frequentemente convocado como testemunha de um domingo já estabelecido desde o período apostólico, a famosa passagem de Magnésios 9.1 é muito menos clara do que as traduções costumam sugerir. Ela aparece com frequência assim: “não mais sabatizando, mas vivendo segundo o dia do Senhor”. O texto grego da recensão média, porém, traz kata kyriakēn zōēn zōntes, expressão que pode ser traduzida como “vivendo segundo a vida do Senhor”. A palavra “dia” não aparece no texto grego. É verdade que alguns estudiosos entendem kyriakēn como uma forma abreviada de “dia do Senhor”, leitura apoiada pela antiga versão latina, que diz secundum dominicam viventes. O ponto, portanto, não é que a interpretação dominical seja impossível, mas que o texto está longe de oferecer o testemunho inequívoco que tantas vezes se afirma. A própria discussão filológica impede que Inácio seja apresentado, sem ressalvas, como prova de que o domingo já havia substituído o sábado. Uma recensão ampliada da carta, produzida provavelmente no século IV, tornou a referência dominical explícita. Isso mostra, no mínimo, que a formulação mais antiga não era tão transparente quanto os defensores dessa leitura gostariam que fosse. Não se explicita posteriormente aquilo que o texto anterior já dizia sem qualquer ambiguidade.

Observe como as datas e os lugares formam um quadro difícil de ignorar. Barnabé escreve no ambiente das revoltas judaicas. Justino escreve em Roma pouco depois de Adriano destruir Jerusalém e restringir práticas judaicas, entre elas o sábado. Ser confundido com um judeu naquele mundo podia custar caro. Foi nesse ambiente que o domingo começou a ganhar espaço, não no cenáculo de Jerusalém nem por determinação apostólica.

Quem organizou esse dossiê com mais rigor foi, ironicamente, um adventista dentro da cidadela intelectual católica: Samuele Bacchiocchi doutorou-se na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e sua tese “From Sabbath to Sunday” foi publicada pela editora da própria universidade, com imprimatur. A ironia da cena dispensa comentário; o conteúdo, não. Sua conclusão foi que a adoção do domingo “não ocorreu na igreja primitiva de Jerusalém em virtude da autoridade de Cristo ou dos apóstolos, mas ocorreu várias décadas mais tarde, aparentemente na igreja de Roma, solicitada por circunstâncias externas” (p. 309, tradução minha).

A transição tampouco foi imediata ou universal. Ainda no século V, Sócrates Escolástico registrava que “quase todas as igrejas do mundo celebram os sagrados mistérios no sábado de cada semana; contudo, os cristãos de Alexandria e os de Roma, por conta de alguma antiga tradição, deixaram de fazê-lo” (História Eclesiástica, 5.22). Alexandria e Roma: justamente as cidades ligadas aos testemunhos de Barnabé e Justino.

Detalhes dessa reconstrução podem ser discutidos. O que ninguém consegue apresentar é a ordem apostólica que teria transferido o sábado para o domingo. A transferência foi processo histórico do pós-apostolado, não mandamento do Senhor. E preceitos nascidos de circunstâncias humanas têm a autoridade das circunstâncias humanas. (O leitor que quiser se aprofundar encontra em Strand a contraparte adventista erudita ao volume de Carson, publicada no mesmo ano de 1982, e em Tonstad, doutor em Novo Testamento por St. Andrews, o que me parece ser o tratamento teológico recente mais substancial do sétimo dia.)

O que sobra na cruz

Volto, então, à frase popular com que começamos: “Jesus aboliu a lei na cruz.” Agora podemos responder com mais precisão. Sim, algo foi cravado ali. Paulo o chama de cheirógraphon: o escrito de dívida, a nota promissória da nossa culpa, o registro de tudo o que devíamos e jamais conseguiríamos pagar. Cristo levou esse documento para a cruz e morreu sob a acusação que pertencia a nós, embora Ele mesmo nada devesse. Poucas notícias poderiam ser melhores.

Com a cruz, também chegaram ao fim as ordenanças cerimoniais que apontavam para esse momento. Os sacrifícios, o sacerdócio e as festas anunciavam antecipadamente aquilo que Cristo realizaria de uma vez por todas. Quando o verdadeiro Cordeiro foi imolado, continuar oferecendo a sombra seria agir como se o que Ele fez no Calvário não valesse nada. Essas leis não cessaram porque fossem más ou inúteis, mas porque cumpriram a função para a qual haviam sido dadas. Apontaram para Cristo e, ao encontrá-lo, chegaram ao seu destino.

O mesmo não pode ser dito dos Dez Mandamentos. Eles não foram instituídos para representar o sacrifício de Cristo, nem pertenciam ao conjunto de ritos que separava Israel das outras nações. Expressam a vontade moral de Deus, definem o pecado e mostram como o amor a Deus e ao próximo se manifesta na vida concreta. É por isso que Paulo pode declarar a circuncisão “nada” e, na mesma frase, afirmar que o que importa é guardar os mandamentos de Deus. É também por isso que chama o mandamento de santo, justo e bom, cita “não cobiçarás” como lei ainda capaz de revelar o pecado e ensina que o amor cumpre “não adulterarás”, “não matarás” e “não furtarás”. A cruz não apagou essa lei. Livrou-nos de sua condenação e abriu o caminho para que o Espírito a escrevesse no coração.

A distinção entre lei cerimonial e lei moral não foi inventada para salvar o sábado. Ela emerge do modo como a própria Escritura trata cada preceito. O que servia de sombra encontrou sua realidade em Cristo e cessou. O que expressa o caráter moral de Deus permanece. A circuncisão perdeu sua função como sinal da aliança; os sacrifícios de animais terminaram porque Jesus se sacrificou por nós; as ordenanças cerimoniais chegaram ao seu cumprimento. Mas as proibições da idolatria, do assassinato, do adultério, do furto, da mentira e da cobiça não se tornaram menos verdadeiras quando Cristo morreu. Tampouco o quarto mandamento, escrito pela mesma mão, na mesma pedra e incluído na mesma lei.

Da próxima vez que alguém lhe disser que “a lei foi cravada na cruz”, a pergunta que deve fazer é simples: de qual lei estamos falando? Se forem as ordenanças cerimoniais que anunciavam Cristo, então sim: elas cumpriram sua missão e chegaram ao fim no Calvário. Se for o registro da nossa culpa, ele também foi cancelado ali — e graças a Deus por isso. Mas, se a afirmação pretende incluir os Dez Mandamentos, será preciso demonstrar algo que o Novo Testamento não sustenta: que a cruz aboliu o padrão moral cuja transgressão tornou a própria cruz necessária.

Cristo não morreu para tornar o pecado impossível de definir, muito menos para tornar o próprio pecado permitido. Pois se já não há mais lei, então já não há mais pecado porque o pecado “é a transgressão da lei” (1 Jo 3:4). Jesus morreu para perdoar pecadores e transformá-los. Na cruz, nossa dívida foi cancelada e as cerimônias provisórias, que apontavam para Cristo, chegaram ao seu cumprimento. Os Dez Mandamentos, porém, permanecem — não como meio de conquistar a salvação, mas como o caminho que aquele que já foi salvo pela graça deve trilhar.


Referências Consultadas:

BACCHIOCCHI, Samuele. From Sabbath to Sunday: A Historical Investigation of the Rise of Sunday Observance in Early Christianity. Roma: Pontifical Gregorian University Press, 1977. 372 p.

CARSON, D. A. (Org.). From Sabbath to Lord’s Day: A Biblical, Historical and Theological Investigation. Grand Rapids: Zondervan, 1982. 444 p. (Reimpressão: Eugene: Wipf and Stock, 1999.)

HESCHEL, Abraham Joshua. O Shabat: seu significado para o homem moderno. São Paulo: Perspectiva. [Confirmar edição/ano da tradução brasileira utilizada.]

MOO, Douglas J. “The Law of Christ as the Fulfillment of the Law of Moses: A Modified Lutheran View”. In: GUNDRY, Stanley N. (Org.). Five Views on Law and Gospel. Grand Rapids: Zondervan, 1996.

SCHREINER, Thomas R. 40 Questions About Christians and Biblical Law. Grand Rapids: Kregel Academic, 2010. 256 p.

STRAND, Kenneth A. (Org.). The Sabbath in Scripture and History. Washington, D.C.: Review and Herald, 1982. 391 p.

TONSTAD, Sigve K. The Lost Meaning of the Seventh Day. Berrien Springs: Andrews University Press, 2009.

As fontes antigas (Plínio, o Jovem, Epístolas 10.96; Epístola de Barnabé 15; Justino Mártir, Primeira Apologia 67 e Diálogo com Trifão 21; Inácio de Antioquia, Aos Magnésios 9.1; Sócrates Escolástico, História Eclesiástica 5.22; Tomás de Aquino, Suma Teológica I-II, q. 99; Calvino, Institutas IV.20.14) são citadas pela divisão interna padrão de cada obra, válida em qualquer edição.

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Graduando em História pela Universidade Estácio de Sá e estudioso de Teologia, defende a premissa de que o conhecimento se torna verdadeiramente valioso quando compartilhado. Junte-se a mim nessa jornada!

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