Introdução
A recente eleição do cardeal norte-americano Robert Francis Prevost como Papa Leão XIV marca um momento histórico sem precedentes na Igreja Católica. Pela primeira vez, um cidadão dos Estados Unidos assume o trono de São Pedro, despertando debates sobre possíveis implicações proféticas e geopolíticas dessa escolha.
A comemoração do presidente americano como se fosse uma vitória eleitoral, o apoio silencioso de Washington nos bastidores da Santa Sé e o simbolismo do evento colocam a religião e a política numa possível nova e inquietante aliança. O que antes era interpretado como simbolismo escatológico ou especulação teológica, agora ganha contornos reais e palpáveis. Estaria, portanto, a profecia de Apocalipse 13 se cumprindo diante dos nossos olhos?
Quem é o Papa Leão XIV?
Robert Francis Prevost nasceu em Chicago, Illinois, em 1955. Ele é membro da ordem de Santo Agostinho e tem uma sólida formação acadêmica em Teologia, Direito Canônico e Matemática, além de ter uma longa carreira como missionário e bispo no Peru, onde atuou por mais de 20 anos. Sua atuação pastoral em contextos desafiadores e sua reputação como um diplomata discreto o levaram a posições de destaque na Cúria Romana.
Antes de ser eleito papa, Prevost era prefeito do Dicastério para os Bispos — o departamento do Vaticano responsável pela escolha e supervisão dos bispos do mundo todo. Sua ligação com o Papa Francisco e sua reputação de moderado foram decisivas para sua eleição. No entanto, sua nacionalidade americana e sua postura conservadora em algumas pautas morais fizeram com que sua ascensão fosse saudada com entusiasmo por políticos da direita cristã nos Estados Unidos.
A profecia de apocalipse 13
O capítulo 13 do livro bíblico de Apocalipse descreve dois poderes simbólicos representados pela imagem de “bestas”: uma que emerge do mar e outra que surge da terra. Ao longo da história, essa linguagem profética tem sido interpretada, especialmente dentro da tradição historicista, como a representação de forças político-religiosas que atuariam de forma conjunta nos eventos finais da história humana.
A primeira besta, descrita em Apocalipse 13:1–10, é apresentada da seguinte maneira: “subia do mar, tinha dez chifres e sete cabeças, com dez diademas, e sobre as suas cabeças, nomes de blasfêmia”. Esse símbolo é comumente associado ao papado, uma autoridade religiosa que se consolidou no contexto europeu — região caracterizada por alta densidade populacional, aspecto coerente com o significado profético do termo “mar” (cf. Apocalipse 17:15: “as águas que viste são povos, multidões, nações e línguas”).
O texto bíblico indica que essa primeira besta receberia poder por um período determinado, sofreria uma “ferida mortal”, mas posteriormente teria sua influência restaurada. Essa sequência tem sido compreendida como uma referência à perda e à recuperação progressiva da autoridade papal ao longo da história. O próprio texto afirma que “toda a terra se maravilhou, seguindo a besta” (Apocalipse 13:3), sugerindo uma retomada de alcance global.
A segunda besta surge a partir do verso 11: “Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão” (Apocalipse 13:11). Diferentemente da primeira, ela emerge de um território descrito como “terra”, termo frequentemente associado a regiões menos povoadas. Seus dois chifres semelhantes aos de um cordeiro indicam a presença inicial de princípios compatíveis com valores cristãos e liberdade civil, enquanto a “fala como dragão” aponta para uma mudança futura em sua postura, marcada por coerção e autoritarismo.
Segundo Apocalipse 13:12, essa segunda besta “exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença e faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada”. O texto sugere, portanto, uma relação de cooperação, na qual o poder civil da segunda entidade atua em favor da restauração da autoridade religiosa da primeira.
Essa dinâmica é aprofundada nos versos seguintes. Apocalipse 13:14 descreve a criação da chamada “imagem da besta”, entendida como a reprodução de um sistema semelhante ao da primeira besta, agora sustentado por estruturas políticas e civis. O verso 15 indica a imposição de coerção contra os que se recusarem a se submeter a esse sistema, enquanto os versos 16 e 17 apontam para sanções econômicas e sociais impostas aos dissidentes.
Dentro dessa linha interpretativa, C. Mervyn Maxwell, teólogo e doutor em História Eclesiástica, argumenta que Apocalipse 13 descreve um processo histórico no qual uma potência civil emergente, identificada com os Estados Unidos da América, acabaria utilizando sua influência política, econômica e diplomática para promover a autoridade global do papado. Segundo Maxwell, esse desenvolvimento não ocorre de forma abrupta, mas progressiva, culminando em uma cooperação entre religião e política que conduz o mundo à submissão à primeira besta, cuja ferida mortal foi curada.
À luz dessa leitura, eventos contemporâneos — como a crescente aproximação entre líderes políticos e religiosos em escala global — podem ser analisados com cautela como possíveis indícios desse processo em andamento, sem que se afirme, contudo, o cumprimento pleno e definitivo da profecia.
Entenda mais sobre apocalipse 13:
- Apocalipse 13: uma besta que sobe do mar – Parte 1
- Apocalipse 13: a besta que emerge do mar – Parte 2
Evitando o Sensacionalismo
Contudo, é necessário fazer aqui um alerta importante: embora os sinais atuais possam sugerir que estamos nos aproximando do cenário descrito em Apocalipse 13, é fundamental manter a cautela e o bom senso. A interpretação profética deve ser equilibrada, fiel às Escrituras, mas também sensível ao contexto histórico, cultural e político. Não devemos cair no erro de alimentar sensacionalismos, alarmismos vazios ou interpretações apressadas que descredibilizam a mensagem profética e afastam as pessoas da verdade.
A profecia não foi dada para gerar pânico, mas para preparar o povo de Deus. O estudo cuidadoso, guiado pelo Espírito Santo, é o caminho seguro para entender os tempos em que vivemos. A eleição de um papa americano pode ser um marco profético — mas é o tempo que revelará seus verdadeiros desdobramentos. O mais importante é manter os olhos abertos, a consciência alerta e a fé firmada na Palavra.
O que está em jogo agora?
Vivemos em um tempo em que as fronteiras entre política e religião se tornam cada vez mais tênues. Nos Estados Unidos, movimentos religiosos nacionalistas crescem em força e influência. No Vaticano, temos um papa com raízes americanas, cuja visão pastoral dialoga com pautas que agradam ao conservadorismo moral global.
O problema não está na fé católica em si, mas na fusão entre o poder religioso e o poder político. Quando uma nação — especialmente a mais poderosa do mundo — começa a legislar com base em princípios religiosos específicos, corre-se o risco de perder a liberdade de consciência e de culto. Esses são direitos fundamentais, garantidos pela Constituição dos EUA e por convenções internacionais, mas que podem ser fragilizados em nome de uma suposta ordem moral global.
Conclusão
Ainda é cedo para afirmar que estamos vivendo o cumprimento pleno das profecias de Apocalipse 13. No entanto, os sinais são notáveis. O que antes era simbólico, agora começa a ganhar forma concreta: um papa americano, um presidente comemorando sua eleição, um mundo em crise ansiando por estabilidade espiritual e moral. Tudo isso deve servir como um alerta espiritual. A história não está caminhando por acaso. Como advertiu Ellen White: “Os acontecimentos finais serão rápidos.”
Agora é o momento de vigiar com discernimento e paciência.
Que Deus abençoe você e sua família!
Referências consultadas:
- Bíblia Sagrada – Versão Almeida Revista e Atualizada (ARA).
- MAXWELL, C. Mervyn. Uma nova era segundo as profecias do Apocalipse. 3. ed. Tatuí, SP: CPB, 2014, p. 350–358.
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